Not an alien
- Lembro do dia em você chegou aqui e depois de como larguei compromissos lá pra adiar os dias, para atrasar o relógio e te esperar num ponto envelhecido dessa cidade úmida. Lembro de como corri atrás do prejuízo e fiz planos e não esperei você ligar mais porque você sempre ligava mais. Lembro de como exercitei eu mesma e fiz esquecer de quanto estúpida tinha sido minha vida até você, com seu manual de etiqueta. Um excesso de você com seus olhos pequenos me fitando e me pedindo o que mais eu poderia fazer. Uma overdose de você com suas frases de efeito bem aplicadas às situações nas quais eu era o cortejo galante que se ouvia ao som de letter never sent. Você sempre gostou de músicas sobre cartas e me mandou cartões e me fez ouvir todas as músicas sobre cartas até eu encontrar a palavra certa; a dose de paixão na medida exata apenas para te mandar meus pensamentos sobre você mesmo. Porque eu tomei suas t-shirts emprestadas e arrastei seu coração para perto do meu só para te fazer sorrir um pouco mais e me contar mais e mais daquela vida que aquela hora já não pertencia nem a mim, nem a mim, nem a mim. Meu coração de ouro puro que nunca recorreu a palavras que não fossem suas para falar de seu amor. Meu coração de ouro puro que quando quis e pode não hesitou em lançar mão de teorias filosóficas e clichês jornalísticos para me fazer sumir daquela cidade úmida onde perdi você de vista e até hoje nem sei... Até hoje nem sei porque fico aqui tentando encaixar sua meia-paixão numa categoria de amor que criei só para te definir. Eu te mal amei. E por três meses te mal amei. Te mal amei tanto que não consegui ver que por trás dos meus exercícios neuróticos em busca de nós mesmos não havia nada além do que fora dito tantas e tantas vezes para tantos e tantos outros. Mal digo minhas horas em frente à máquina e espero você ligar. Nem que seja para me dizer que também me mal amou por três meses e algumas mensagens na caixa de entrada. Se quiser, eu também posso brincar de englishman. But not a alien anymore.