Algum dia em 2013

“Em mim haviam pequenas marcas tuas, desde aquele dia que não some da minha cabeça.

Duas almas que ali se completavam. Ou pareciam se encaixar como num modelo biológico de chave-fechadura. Era meu substrato, e eu não havia sequer escolhido isso.

A embriaguez era tão visível que minha face se contorcia numa cara patética de quem se apaixona e não assume, por que também não sabe. A partir daí foram aparecendo todos esses 23 mols de interrogações que rodopiam no meu cotidiano. Várias perguntas vazias e recomeços e fins e meios e medos e pedaços seus em mim.

A ponto de não conseguir deixar de sentir seu cheiro dentro de mim, na minha garganta, na minha roupa, na minha cabeça. É, a minha mente. Confesso que tiveram caras que deram nós em mim. Caras que incendiaram meu coração e o meio das minhas coxas. Mas você escolheu atear fogo logo na minha parte mais perturbada. Ateou fogo no meu cérebro, que borbulha junto com toda lembrança real ou inventada que tenho de nós. Borbulha com suas palavras, aparições e sumiços. As borboletas nunca foram tão violentas no meu estômago. As asas parecem pedras, me ferindo.

Por que não consigo agir normalmente? Tu me tira a paz, não dá pra passar um dia sem ser atormentada com suas interrogações. Você me deixa tão anormal que tenho escutado mais indie do que costumava, e músicas doídas alternadas com reggae para retornar aos trilhos. Ainda não baixei Radiohead, pretendo terminar essa história antes de chegar nessa fase.

Mas você tira a paz que demorei construir em mim. Não desenvolvi anticorpos suficientes para seu mistério.

Queria terminar o texto te dizendo algo legal ou que doesse. Sabe o nó que eu te disse que você me dá? Tá, a cada dia, mais apertado. Quero sumir antes que esse fio arrebente. Espero que tenha percebido a distância que estabeleceu entre nós, não dá pra competir com esse tormento que me traz.

Não houve alguém que eu tivesse me encantado tanto. E me desencantado também. Então peço que fique, em algum lugar de mim. Pode até doer quando eu te encontrar encrustado no meu coração, cérebro ou qualquer outra parte. Mas fica aí, em algum canto. Pra eu lembrar o quanto foi incrível a experiência.

O que eu quero realmente dizer, é que eu não consigo me atropelar mais só pra ter uns minutos a mais de prosa, de música ou algo qualquer. Deixe o que for sua essência na minha gaveta. Talvez numa outra curva de destinos, nossos labios se reencontrem. Mas agora não.

Esquece de mim.

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