Como poderia ter sido

(Escrito em 01/05/2014)

Já comentei que odeio domingos? É. Eu odeio domingos. Não só porque a segunda feira vem logo em seguida, mas também por ser um dia que transborda preguiça. Levantei tarde como de costume, e, para variar, minha mãe tinha ido trabalhar. Depois de aparentemente fazer uma enorme força, levantei da cama, me arrastei até o banheiro e tive uma daquelas tentativas frustradas de parecer gente logo quando acorda. Desci as escadas lentamente, seguindo meu instinto de fome, peguei meu cereal, e quando finalmente ia sentar no sofá, notei que não estava sozinha.

Bryan estava sentado no meu sofá. O culpado das minhas noites em claro.

- O que você está fazendo aqui? — disse petrificada no meio do corredor.

- Peguei as chaves com sua mãe, precisava falar com você — ele forjou um sorriso

- Bryan, não. Eu não posso passar por isso de novo, eu disse que não queria mais conversar com você. Você teve uma semana inteira para me dizer qualquer coisa e não o fez, não posso ficar me iludindo. Tá na hora de eu seguir em frente, pode por favor ir embora? — larguei meu cereal no canto da escada e abri a porta.

- Não! Kath, espera! Me dá só 5 minutos. 5 minutos antes de você me jogar pra fora da sua vida de novo. Me deixa tentar explicar todo esse amor que está preso aqui dentro. — ele tinha levantado e estava parado bem na minha frente, com os olhos de quem de fato estava desesperado para falar.

Suspirei.

- 5 minutos.

- Me desculpa. Me desculpa por ter te decepcionado tantas vezes. Me desculpa por nunca ter tomado as atitudes que eu sabia que você gostaria que eu tivesse tomado. Me desculpa por ter te tratado tão mal por meses, por não ter te ouvido! Me desculpa por não ter vindo antes, eu não sabia se era certo, fiquei com medo de você me expulsar de novo. Mas eu estou aqui agora, e queria me desculpar de tudo o que eu já fiz de errado. Queria mostrar pra você que eu posso ser diferente, que nós podemos ser diferentes. Me dá uma chance de te mostrar que eu mudei. Que eu posso ser o cara que você sempre quis. Eu…

Nesse meio tempo já não conseguia conter minhas lágrimas. Era tudo tão dificil, tão complicado. E agora simplesmente enterraríamos tudo para dar início a uma nova chance. Uma nova chance de verdade. Será que eu estou preparada pra isso? Será que eu aguento me ferir mais uma vez? Bom, talvez pior que eu estou, não dê pra ficar. Eu sei que sinto falta dele. Preciso fazer algo a respeito, não dá mais para ficar apenas remendando os pedaços.

- … sei que pode tudo parecer uma bagunça agora, mas acho que se a gente… — ele continuava falando sem sequer perceber que minha mente já estava ignorando todas as mesmas declarações dele.

Então eu simplesmente o abracei. No meio do discurso. Senti o calor do seu corpo cruzando o meu novamente, e aquele aperto de abraço sincero, de duas pessoas que se amam. Depois de olhar sorrindo para ele, o beijei. O beijei deixando tudo para trás, aceitando todos os erros, fossem meus, ou dele, e dando chance para acreditar mais uma vez em todas aquelas promessas. Era um novo tempo para nós dois.

E eu estava disposta a arriscar tudo, uma última vez.

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