Suicídio e Desterro
Sinto que a minha timeline do facebook é uma coleção das nossas perdas… Emenda do teto de gastos em 2016, Reforma Trabalhista em 2017…assassinatos de Marielle em março, de Matheusa em maio, de Marcus Vinicius da Silva em Junho, de milhares de mulheres que morrem todo dia com a desassistência do Estado ao persistir na criminalização do aborto em Julho, na condenação de todos a terceirização irrestrita em Agosto…e começa show de horror eleitoral (que nos condenará em outubro?).
Quem até acha que não foi golpe a tomada do poder por Temer, não pode negar que desde sua “entrada” abriu-se a porteira para a boiada de golpes nos devastar. Por ser um governo ilegítimo, não tem respaldo, não prescinde de aprovação para existir. Cinicamente somos apunhalados, por um desgoverno que de tão ilegítimo e sabedor do seu poder de golpe nem precisa disfarçar para o que veio. É só mudar a sílaba tônica, Temer. É só olhar a logomarca deste governo, uma grande bola derrubando o Brasil. Mas estamos todos cegos, insensíveis…desbaratados.
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Rio de Janeiro sediou pan-americano, copa, olimpíada, mas na propaganda pros turistas nem aparecia, um palácio daquele tamanho, vizinho do bilionário-Maracanã-”padrão Fifa” que a seleção nem deu conta de pisar por 90 minutos.
No ano em que completou 200 anos de vida, Capes declara que a ciência no Brasil tem prazo de validade: agosto de 2019. Pesquisadores enfatizam as precárias condições do fazer científico, de produzir conhecimento público. Poucos ouvem a carta que anuncia o fim. Descaso, demérito…O que esses estudantes xexelentos tão falando mesmo?! Dinheiro para a cultura, para museu, para a universidade? Mimimi. Vai para Cuba.
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O Museu Nacional não mais se sustenta em suas próprias pernas que se escoram nos seus pesquisadores cansados, sistematicamente ignorados e sentenciados com um horizonte tão curto. É possível salvar um gigante na UTI com vaquinha e verba de um carro popular?
E assim, a grandiosidade “palacial” da primeira e mais prestigiosa instituição científica do Brasil não mais se equilibra na pátria-terra-mãe-gentil em estágio de avançada erosão.
E na semana da pátria, o Museu Nacional tomba, exausto.
Sua grandiosidade fundante desta nação não tem mais lastro diante de tanta hipocrisia.
Não mais me sustento, declaro meu fim.