Uma valiosa lição…
Cheguei no Rio há exatamente uma semana. Depois de mais de 2 meses longe de “casa”, em contato direto com a natureza, com pessoas que falam minha língua, pensam como eu, voltar para “casa” não está sendo muito fácil.
O que ainda me mantém aqui mais um pouco é minha família e meus amigos. Estou aqui pelas pessoas, porque por mim já metia o pé.
Voltar para “este mundo” está ainda mais difícil depois de tantos despertares que foi acontecendo comigo nos últimos meses. Para mim é difícil sair na rua e observar as pessoas, os lugares, como nossa sociedade “funciona”, ver como se está vivendo neste mundo… Difícil perceber que o mundo que “vivo/enxergo” hoje é tão diferente deste que está aqui “fora”, e que esse “meu mundo” é visto com um certo julgamento, uma crítica mesmo que velada.
E acho que o mais difícil é perceber que apesar de me respeitarem, meus pais, assim como amigos, não me entendem ainda, não me apoiam. Preocupação que sei que é puro amor… aliás é tudo muito diferente do que eles imaginam que é uma vida estruturada. E chega a ser engraçado porque a preocupação que eles tem comigo, é a mesma que tenho com eles. Para mim é muito frustrante ver o que eles estão fazendo com a vida deles, como estão vivendo… dominados pela sociedade do medo de da escassez.
Na verdade o que mais me dói é querer ajudá-los, querer mostrar um monte de coisa, querer vê-los viver a vida que sonho para eles, e eles não quererem, ou não entenderem, ou relutarem contra isso.
E com isso tudo na cabeça resolvi escrever… Estava escrevendo de como eu tava triste, desanimada, desolada com o fato das pessoas não me entenderem, não entenderem minhas escolhas, do julgamento as vezes aberto, as vezes velado… Estava frustrada pelo fato das pessoas não perceberem que vida sem sentido estão levando, que vida vazia, que vida infeliz. Estava eu querendo que todos abrissem os olhos e enxergassem um monte de coisa, que vissem que a vida é mais simples do que elas pensam.
E aí me toquei… Quem disse que a vida que eu escolhi é melhor que a de alguém? Quem disse que eu “sei mais” do que elas sobre viver a vida? De onde saiu toda essa arrogância e petulância minha? De onde saiu todo esse julgamento meu?
Uau! Que soco no estômago!
Costumo dizer que já sou adulta, vacinada, com todas as minhas faculdades mentais em pleno funcionamento, responsável, com senso de certo e errado, com noção de atos e consequências, e que então não se preocupem com minhas escolhas.
E aí me veio… Eles também são tudo isso que falei. Então porque estou eu preocupada com as escolhas alheias? E mais, como eu posso querer receber amor, apoio, incentivo se eu mesma não estou fazendo isso? Se eu mesma estou de certa forma julgando?
E nessa reflexão, talvez tenha vindo a maior lição! Se quero que as pessoas enxerguem, respeitem e queiram conhecer meu mundo, preciso também respeitar o mundo deles, a escolha deles. Aliás, a mudança tem que começar comigo, certo?
Se na minha concepção as escolhas que as pessoas estão fazendo, se a vida que elas estão levando não é a melhor opção. Paciência! É a vida delas, é a escolha delas, e eu preciso aceitar, respeitar e apoiar. Até porque cada um tem seu tempo, seus processos, suas aprendizagens… as coisas não acontecem de uma hora para a outra, e a verdade é que crescemos na sociedade do medo, da escassez. E romper com isso é muito difícil.
Quer dizer, na verdade é muito fácil… mas deixa para lá. Essa minha lição de hoje veio justamente para me falar isso; Para deixar minha arrogância de lado, e aceitar e respeitar as escolhas de cada um, independente se acho certo ou errado, são as escolhas de cada um.