Os mistérios da Massagem Tântrica

texto escrito em 2016 após uma massagem tântrica e reescrito em 2018.*

A palavra é muito ampla e há diferentes correntes do tantra filosófico. Minha experiência é com a massagem tântrica em contexto terapêutico na Casa de Lakshmi, e desde então já são mais 3 anos nesse caminho.

As mudanças começaram dentro, mas hoje percebo que o Tantra entrou na minha vida para remover tudo que não servia mais e me levar a outro patamar de prazer. A uma vida orgástica.

Por ser uma energia matriarcal, o Tantra também me colocou em contato com as minhas luas. Eu tinha uma relação conflituosa com os meus próprios ciclos, tentando ser linear sem perceber que cumpro um ciclo de 28 dias como a Lua. Hoje estou mais ciente dos meus ciclos e com a energia disponível em cada uma das minhas fases.

Eis o relato integral de uma Massagem Orgástica em 2016, escrita assim que cheguei em casa (mesmo minha terapeuta recomendando guardar a experiência só pra mim, rs):

Cheguei com as piores expectativas. Com a perna machucada, com a lua aberta (o sangue desceu ontem), imaginei que se alguma lembrança ruim viesse doeria mais. Por que sempre acho que me entregar dói mais? Enfim, tirei minha roupa e pedi para o meu Eu Superior que cuidasse de mim e me guiasse. Eu queria me permitir, estava de coração aberto e em um ambiente sagrado com Deva Kamalinii, terapeuta da Casa de Lakshmi em quem confio muito.

Fizemos uma dinâmica vibracional de grownding para aterrar meus pensamentos. Resisti um pouco enquanto meu corpo adorava pesar e relaxar sob o chão.

A Massagem Orgástica começou com o toque da Reconectiva, toques leves com a ponta dos dedos por toda a extensão da pele, menos nos genitais. Esse é um toque desgenitalizador, estimulante. Esse toque sutil tem o poder de reconectar você com você mesmo. Quantas sensações vem à tona com toques tão leves… como se tocassem a alma. Rapidamente varreram o campo energético e, de repente, só tinha eu e as mãos do terapeuta. Os toques ganharam vida e movimentaram o fluxo de energia no meu corpo, mostrando as regiões mais sensíveis e causando repentinas ondas de prazer. Quase cosquinha… liberando a respiração, a cosquinha vira vibração.

Depois, a drenagem com o óleo (no nosso caso, um lubrificante à base d’água que esquenta). Reconectando partes do meu corpo com as mãos (coração-genital, umbigo-genital, coração-umbigo), me sentia mais integrada e disponível para desintegrar se fosse necessário. Meu corpo foi aquecendo e respirando por todos os poros. Quando se iniciou a etapa da Orgástica com os toques genitais, as terminações nervosas pareciam estar alertas como uma tomada e eu senti o choque em toda a extensão dos grandes lábios. Os toques eram prazerosos e eu sentia minha consciência sobre eles ampliada, mas eles estavam muito localizados naquela área. Foi aí que decidi dar um passo adiante.

Tomei coragem e finalmente decidi parar de controlar meu prazer e me concentrar somente na respiração e em receber o toque. Em questão de segundos, a pressão sobre o clitóris repercutiu sobre o corpo todo com tanta serenidade e foco que me senti subindo uma escada. Uma sensação branca, precisa e uniforme pelo corpo todo. Um orgasmo lindo e potente que veio no segundo em que relaxei e permiti receber. Fiquei alguns bons minutos nesse orgasmo novo. Minha mente, entretanto, ainda estava ali alerta, pensando “gratidão, parabéns, que incrível” e outras vaidades espirituais.

O segundo passo era, então, mais difícil, porque agora eu já sabia que seria recompensada se me permitisse e passava, assim, a querer a recompensa e a controlar sua intensidade. Foi muito mais difícil me permitir respirar&relaxar pela segunda vez. Minha terapeuta dizia “respira na barriga” e a sensação era que eu estava parindo, tamanha a dificuldade. Persisti e logo vieram outras sensações tão incríveis quanto. Algumas tomadas de consciência e de energia para questões que eu queria resolver, algumas catarses sobre processos e bloqueios no meu próprio corpo — e, nesse momento, tive que me segurar para sair do mental e voltar pra experiência. Perceber o mecanismo que a minha mente tinha quando eu estava experimentando o desconhecido: planejar para me fazer acreditar que não podia dar tudo ali, sempre com uma promessa futura de entrega.

Depois dessas lições e de ter vontade de me dobrar à experiência, ficou ainda mais incrível porque me controlar deixou de ser uma opção. Quando dei por mim, de fora, eu estava felina, fluida, entregue e desejosa de prosseguir recebendo. Senti pavor. Preferia que acabasse ali. Quando permiti uma onda do tipo “deixa de ser boba”, percebi que podia experimentar múltiplas cores, texturas e sensações, a despeito do meu padrão sexual de escassez, como se ninguém pudesse me satisfazer. Fui experimentando, alternando entre respiração curta e respiração abdominal, até que chegou um orgasmo mais tradicional, profundo, de alta demanda energética. O desafio era, então, continuar na onda orgástica sem “me dar por satisfeita”. O corpo sensível recebeu a nova mensagem de poder continuar, manter o alto nível de vibração, e aceitou tão bem e tão rápido que eu nem precisava ter me preocupado. Depois, ainda vieram muitas outras ondas orgásticas, com facilidade. O corpo parecia ter “vencido” o ego, finalmente.

Não tive medo das músicas hardcore que me lembravam do meu medo. Quando chegaram as músicas suaves, então, meu corpo já estava pacificado, embora vibrante. Sentia uma gratidão profunda e passiva ao mesmo tempo em que meus planos ganhavam viço, coragem e energia pra prosseguir. Tinha certeza de que precisava continuar nesse caminho, embora parecesse já ter chegado em algum lugar só por estar viva e consciente.

Cheguei em casa depois dessa experiência maravilhosa com o novo desafio de não esquecer o que tinha acontecido e é por isso que estou escrevendo, me esforçando pra vibrar na experiência que vivi há algumas horas atrás, e na certeza de que é sempre só o começo de uma vida mais leve, abundante e prazerosa.

¹ esse foi meu primeiro relato sobre a massagem, mas não é a primeira. Importante frisar que cada corpo é um corpo, e cada experiência remete ao processo individual do ser. Relatar é só uma forma de compartilhar e guardar esse momento.

Para quem deseja um profundo mergulho de consciência através do Tantra, eu recomendo o Programa Tantra Clínico 10, na Casa de Lakshmi, que fica no bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro, onde atendo como terapeuta em treinamento. Para saber mais, acesse:

Flyer do Programa Tantra Clínico 10