Por que os irmãos nascem?

Desde o começo dos tempos, irmãos competem. Quem será mais bem-sucedido? Quem é mais inteligente? Mais bonito? Quem faz mais pelos pais? Quem dá menos trabalho? Quem é mais íntegro, justo, honesto, coerente? Quem tem o relacionamento amoroso mais feliz? E quando não estão competindo de verdade, estão competindo de brincadeira.

Se há leis kármicas, fico me perguntando como é a decisão de vir irmão de alguém. E porque alguém vem sem irmãos. Que diabos de lição é essa que aprendemos quando viemos irmãos? Será o “ser irmão” a mais dura lição humana, mesmo pregada há 2000 anos?

Entre doçuras e instintos violentos e aniquiladores, a realidade humana tem algumas ferramentas de união. A maior e mais potente, o sexo, é vetado no seio familiar. O carinho, potência materna, parece não ser de muito bom tom entre irmãos. O companheirismo, esse sim abunda, mas sem as típicas declarações, porque quase não há o contraste da saudade para irmãos que dormem juntos. Crescidos em uma lógica patriarcal, é coisa de “fraco” admitir que chorou quando o irmão viajou, ou que sente falta dele mesmo que ele seja um bunda mole.

Por uma lógica biológica, depois de passar da fase de rejeitar e desafiar os pais, a vida adulta nos apresenta o embate óbvio entre os irmãos. O tamanho da diferença é proporcional à quantidade de semelhanças. Duro é olhar no espelho. Quem parece mais com a mãe? Quem catou os genes ruins do pai? Sendo assim, mesmo nos caminhos mais próximos as pequenas diferenças saltam como sapos por todos os lados, incomodando mesmo as afinidades mais certas. Ideologia, modo de criar os filhos, sexualidade, postura diante do mundo e ética profissional são alguns dos principais motes de discussões intermináveis.

Esses debates podem nunca acontecer no plano concreto, mas vivem povoando a mente e participando de conversas íntimas com os pais, com os cônjuges ou com os amigos — até mesmo os amigos em comum. Esses debates são a guerra fria dos afetos.

No entanto, nunca conheci pessoa que tirasse “o irmão” da boca: falando ou não, feliz ou não, lá estava o sujeito a falar do irmão.

E daí, também por uma lógica biológica, existem 3 caminhos pra mim: ou romper definitivamente pra evitar o julgamento e a crítica, ou viver entre ovos e gentilezas pra manter a aparência de família unida, ou conseguir alcançar a intimidade necessária pra fazer e receber críticas e aceitar um outro modo de vida que não o seu. Nenhuma das três opções é fácil: todas tem ônus. A do meio costuma ser mais fácil pra maioria das pessoas normais, que não fogem muito ao senso comum. Eu, naturalmente, por amar o amor, sou a favor e adepta da terceira. Para tanto, as lógicas biológicas não servem: faz-se necessário um acordo, algo cultural, de ambas as partes. Nossos pais, encarnados ou não, conscientes disso ou não, certamente agradecerão.

Se você tem algum problema com seus irmãos, sugiro que você os resolva agora. Melhor do que resolver em algum casamento, em algum enterro ou litígio. Se não for possível resolver com eles, sugiro que você os resolva dentro de você. A Natureza é muito sábia e, enquanto os conflitos primitivos não estiverem resolvidos, é muito difícil “seguir em frente” sem válvulas de escape. Se tem uma coisa que eu tive que reaprender na sociedade patriarcal é: não finja orgasmos, e nem finja que está tudo bem. Temos direito aos nossos conflitos e incertezas.

Sou a mais velha das três irmãs. Rótulo de inteligente. Reclamo porque sofri mais, levei chinelada e tive que abrir caminho pras outras. A do meio reclama que se sentiu pressionada a ser inteligente. A mais nova reclama porque se sentiu duplamente pressionada a fazer alguma coisa da vida.

Sabe-se lá porque o organismo e a alma da minha mãe consentiram em ter outras duas mulheres. Sei é que eu não vou com a maioria. Morei 25 anos acordando com essas duas diabas, caceta! Quem eu poderia amar mais e melhor? Minhas irmãs são minhas melhores amigas. Inventaremos toda a sorte de desculpa pra permanecemos juntas nessa jornada, mesmo que elas duas sejam duas bundonas.

Abaixo seguem alguns links sobre irmãos, que eu e minhas irmãs gostamos de compartilhar todo dia pra relativizar o peso insustentável do amor:

  1. 35 coisas que só quem tem irmão vai entender
  2. 18 imagens que todo mundo que tem irmão vai reconhecer
  3. 10 coisas que seu irmão mais velho nunca te contou
  4. 8 coisas que só acontecem com quem tem irmãos

Beijo na bunda!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.