A importância da empatia

Carolina Veronez
Jul 20, 2017 · 2 min read

Nesta semana aconteceram duas coisas que me fizeram refletir muito sobre o comportamento humano quando se trata do outro. Mas não vale ser alguém da família ou um amigo próximo, falo dos que cruzam com a gente todos os dias.

Em mais um capítulo triste da nossa cidade -que já é famosa por não ser acolhedora-, alguns moradores em situação de rua foram acordados com jatos d’água dos caminhões da prefeitura. Essa cena consegue ser ainda mais absurda se a gente pensar que nesse mesmo dia a temperatura bateu seus 7c.

Pipoca uma matéria aqui, outro post ali e eu começo a ver as pessoas se digladiando em nome da defesa de uma São Paulo higienizada e cheirosa, igual ao Jardim Europa onde nosso prefeito, Doão Joria, habita. Muitas delas realmente acham que as barracas e cobertores estragam a vista desse mar de prédios envoltos em uma camada indissolúvel de poluição.

Quando então enxergaremos a realidade? Os protagonistas dessas passagens são seres humanos. E o que nos diferencia deles quando tratamos de frio, fome tristeza e tantos outros sentimentos confusos que moram dentro de nós?

Dois dias depois veio a notícia triste do suicídio do Chester Bennington, vocal do Linkin Park. Antes que a autópsia saísse eu já havia lido trocentas piadas sob a alcunha de “era só um cantor”. É verdade. Era um músico numa carcaça humana. Como tenho um exemplar dessa espécie aqui em casa sei que eles conseguem ser ainda mais sensíveis, e aí me pego pensando: “e se fosse comigo?”. E eu deságuo. Nunca o vi e não sei nada sobre a vida dele além da banda, mas eu sei que ele deixou uma esposa e seis filhos.

Porque então não ultrapassar as barreiras dos sentimentos de afeto apenas pela proximidade? Toda vida tem valor, e a empatia irrestrita por elas pode nos transformar em criaturas mais delicadas com o sentir do outro, seja pelo frio ou pela depressão.

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