Eu sou uma pessoa privilegiada. Assim como a grande maioria dos meus amigos tive uma vida consideravelmente confortável, pude estudar o quanto quis, viajei, vi e vivi.
Mas é com a proximidade dos 30 que me pego pensando em muita coisa. Sobre os caminhos profissionais que trilhei até aqui e se é sob eles que eu pretendo continuar. A resposta sempre pisca em neon num redondo não.
É curioso — e até um pouco reconfortante — perceber que isso vem de outras pessoas da mesma faixa etária. Pessoas com suas belas graduações, dominantes de tantas línguas e mil contatos trocando a direção de criação da marca de frango para a abertura de um bistrô. Secretárias executivas de multinacionais prestando consultoria de moda consciente. Bancários trocando dinheiro pela permacultura, e por aí vai.
Não coincidentemente essa revolução silenciosa vem junto com a busca do tal propósito. Quem faz meditação ou yoga já deve ter trombado com esse termo tão atual que vende que seja lá o que a gente fizer, façamos com amor. Essa condição da era de aquário também caminha ao lado de outras mudanças como a modernização das relações afetivas, assim como as financeiras.
Talvez mais difícil que mudar a direção das velas seja escolher pra qual caminho ir. A sociedade que num geral tem sido tão exigente com a geração Y, também não suporta mais certos padrões. É impossível para uma cidade do tamanho de São Paulo, por exemplo, que boa parte dos seus cidadãos se desloquem em conjunto. São horas desperdiçadas em trânsito, e quem já manjou um pouco do sistema sabe que isso é dinheiro.
A vida pede essa necessidade reinvenção todos os dias. Não importa se lidamos com questões práticas do transporte público ou se abordamos as profundezas do ser. Fato é que os moldes que se aplicavam as nossos pais, não nos servem. Somos seres inquietos, cheios de informações, mas sem muitas perspectivas de como as colocar em prática.
