Meu Caminho de reconexão com meu Povo é pela Capoeira

Carol Veiga
Jul 8 · 3 min read

🎶Olha, bem miudinho cuidado! Esse jogo de angola é mandingado.🎶

Ser preto de corpo não te faz ser preto por dentro automaticamente, pois existem por aí muitos que são os “negrescos” (sabe aquele biscoito que por fora é preto e por dentro é branco, né?). Uma vida se envolvendo em meios brancos e estando sempre entre pessoas brancas, é quase que impossível não ser influenciado pelo modo de vida deles — que sim é racista em sua essência. É como quando você está andando com um grupo de amigos que está tendo maus hábitos alimentares e sempre ingerindo bebidas alcoólicas em excesso, só que você não bebe e se preocupa em manter uma alimentação saudável. Tendo hábitos de vida completamente diferentes, a longo prazo manter-se dentro do convívio com aquelas pessoas não será nada confortável ou livre de influência sobre os seus hábitos. Dentro das possibilidades que costumamos ver, ou vocês acabam se afastando um do outro, ou você cede para se manter ali entre eles, ou você até fica, aguenta a pressão de não ser como eles, porém tem um custo, afasta de si mesmo pessoas com hábitos mais parecidos com os seus e que te traria relações melhores com quem você é.

Nesse último caso, em que as pessoas se afastam de você é o exemplo de desconexão e autodestrutivo que me envontrava. Acontece que no mundo preto, nos movemos em comunidade, sobrevivemos e vivemos enquanto povo que percebe haver uma unidade entre si mesmo sendo diferentes uns dos outros. Veja que um peixe que se distancia do seu cardume tem bem menos chances de sobrevivência que junto dele, mesmo assim sempre será alvo dos predadores, e se fingir de outro tipo de peixe seria ridículo e não o livra de nenhum perigo.

Então aqui eu cheguei, enfim me reconectando com meu povo. Um peixinho voltando pro cardume. E a Capoeira vai se tornar o meio da minha conexão .

A mandinga que move meu corpo na roda de capoeira busca também a conexão afora dela. No corpo é que se que materializa tudo, ali eu ganho forças vinda com a capoeira. Na mente que é onde se projeta os planos, eu reforço o propósito com a capoeira. E na espiritualidade que acompanha sempre nosso povo eu me reencontro lá em capoeira Angola.

São muitos os sentimentos e a energia que me moveram para chegar para a primeira roda de capoeira que pude participar . Dessa encruzilhada da vida tive e tenho muita proteção desse encontro com pessoas tão incríveis que me mostram que há caminhos a serem construídos que são nossos.

As águas me abriram caminho até aqui, me levando ao fogo que emanava uma promessa de recomeço, estava exatamente ali nas terras que pisaram nossos ancestrais sequestrados.

Do sonho e da curiosidade menina de conhecer o mundo, aprendo e reencontro cada dia mais sobre o mundo meu. Dos lugares pelo mundo que quero ainda conhecer eles se multiplicam com o tanto de informação que aprendo sobre a origem de nosso povo. E é nesse chão , solo que um pedaço de África ficou, na separação forçada entre nós, o vento traz notícias de lá pra cá , leva também notícias daqui pra lá.

🎶 Foi por cima do mar qu’eu vim , Oi é por cima do mar qu’eu vou voltar🎶

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