É difícil admitir que o estrago tenha sido tão grande. Parece que descubro a dimensão do estrago novamente e é maior do que eu imaginava.

Dói.

Dói admitir que o estrago se estende a quem nada tem a ver com isso. A quem só tenta ajudar e proteger. E quando eu vejo o estrago já explodiu. E eu não consegui controlar.

É vergonhoso admitir que ainda me afete. Mesmo sabendo que não é assim que funciona. Mesmo tendo ciência que esses estragos não são resolvidos de um dia pro outro. E que eles não são minha culpa.

Fui vítima.

Mas não imaginava que depois de tanto tempo eu ainda sentiria nojo. Vergonha. Ojeriza. Desprezo. Raiva.

Eu não merecia. Ninguém merece. Mas fui vítima. É preciso superar.

Mas como superar quando sua mente te sabota? Como esquecer se a sensação aparece sem que eu queira? Como não sofrer mais se a cada lembrança eu me culpo por me lembrar e sofro por reviver?

Eu não mereço isso. Nem muito menos quem nada teve a ver com isso.

Eu só queria viver em paz. Eu só queria esquecer os estragos. Eu só queria que essa ferida fechasse e nunca mais doesse.

Eu sou boa. Eu sou ótima. Mas o estrago me perseguem, como quem não quer deixar o outro viver.

Eu preciso viver em paz.

Eu vou viver em paz.

Vou conseguir superar o estrago e nunca mais me abalar com isso.

Só preciso ter paciência comigo. Preciso ter compaixão por mim. Preciso cuidar de mim. Preciso me amar.

Eu vou me amar e cuidar de mim pra viver em paz.

E não mais fazer sofrer quem não tem a ver com isso.

O que não nos mata só nos torna mais fortes.

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