Há meses eu não sentia isso.

Não sucumbia a vontade, ao desespero, à angústia.

Me mantinha firme pra que ninguém visse. Me obrigava a engolir a seco pra que não houvessem marcas.

Mas eu fui fraca.

Eu fiz merda. Eu vacilei, eu pisei na bola. Eu fui egoísta. O egoísmo é um dos males da humanidade.

Nada vai mudar isso. Nem minha vergonha nem meu arrependimento. Eu fiz merda, e foi irreversível.

Não dá pra voltar atrás.

O pavor, o medo, o sofrimento. A perda. A certeza da perda. Deusa, como sufoca.

Me obrigaram a me controlar. Me mandaram me acalmar. Me mandaram parar. Eu obedeci porque sabia que era o certo a se fazer.

Mas aí eu fiquei sozinha.

A dor. A vergonha. O arrependimento. O medo da perda. A angústia.

Não tinha ninguém pra me mandar me controlar. Eu tentei, não consegui.

Eu briguei comigo mesma mandei parar. Tentei respirar fundo. Me bati, me soquei, me debati. Não adiantou.

Hiperventilei.

Achei que conseguiria mas foi em vão.

A angústia aumentava o desespero me domou.

Sucumbi.

Ardeu.

Que saudade dessa ardência. Desse barulho. Dessa sensação.

O coração foi acalmando. A respiração ficando menos dolorida.

Um.

Dois.

Três.

Não posso passar disso.

Mais leve mais calma menos angustiada.

Vergonha.

Eu sucumbi.

Eu devia ter sido forte mas não fui.

Que vergonha de mim! Como pude!

Mas sou um ser humano.

Sou fraca também. Não sou feita de ferro.

A abstinência aumentou a angústia.

Num lugar novo mais fácil de guardar.

Mas a sensação pulsante me mostrando o que fiz.

Eu mereci.

Eu vacilei feio.

Isso é pouco.

Eu fraquejei.

Não tive forças.

Tive medo.

E falhei.

Errei.

Me perdoe.

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