Rasgando meu peito novamente.

Rasgando sem dó nem piedade. Rasgando ao fundo, rasgando por completo, rasgando pra sangrar.

Arde. Dói. Sufoca.

Rasga impedindo que algo escoe de mim.

Rasga sem me permitir ter controle do que pensar.

Rasga sem saber onde vou parar.

A culpa é sua.

Toda essa rasgação, todo esse sangue, toda essa solidão.

É sua e toda sua.

Quem mandou me conquistar. Quem permitiu que adentrasse meu peito, que envolvesse meus sonhos, que iluminasse meu dia.

Quem permitiu que dia após dia se mantivesse cada vez mais presente, cada vez mais sorridente, cada vez mais iluminado.

Quem deixou que entrasse e deixasse a porta aberta. Quem te disse que poderia fazer o que quiser.

Quem?

Você.

Você que me teve como ninguém nunca teve.

Você que me viu como antes não haviam me visto.

Você que me sentiu como nunca ninguém havia feito você se sentir.

Você que me preencheu, me cuidou, me conquistou, me ensinou, me gozou, me iluminou, me amou.

E agora se foi.

Você.

Você que permiti entrar, que permiti iluminar, que permiti preencher, que permiti me amar.

Você que acendeu, iluminou, gozou, empurrou, ajudou, apoiou, pediu, implorou, amou…

Você.

Você que mesmo em mim se mantém distante.

Você que só se mantém distante por atender meu pedido. Você que respeitou. Que aceitou. Que calou. Que sofreu.

Você que esvaziou. Apagou. Despediu. Sumiu.

Por que aceitou? Por que não impediu? Por que pensou?

Nós.

Nós que decidimos, nós que concordamos, nós que pensamos, nós que aceitamos.

Nós que cansamos.

Por que?

Porque a vida me destes e me tirastes.

Porque em outro mundo vivestes.

Porque tão longe morastes.

Por que inalcançável estás?

Eu.

A culpa é minha.

Eu pedi. Eu expliquei. Eu decidi. Eu afastei.

Você apenas aceitou.

Por que me envolveu dessa maneira tão profunda que não me faço capaz de ignorar?

Por que sento sozinha numa cama gélida e vazia, sedenta de tua presença, teu abraço, teu corpo, teu cheiro, teu calor?

Porque ainda me faço acreditar que acabou.

Me ignoro, me obrigo a pensar, me faço acreditar que havia de ser.

Era só uma brincadeira.

Quando se tornou sério? Quando me domou? Quando me preencheu, me envolveu, me acostumou?

Quando irás voltar? Quando irás preencher, envolver, entontecer?

Esperança eles dizem. Acredite, eles repetem. No que eu lhes pergunto? Numa possibilidade futura? Numa incógnita incerta? Na vontade do que já houve?

Parem.

Não me torturem.

Não me façam acreditar no que eu quero esquecer. Não posso esquecer, mas não quero alimentar.

Meu alimento. Me sinto desnutrida. Com fome de você. Você. Você.

Tua presença me acalmava. Me acalentava. Me felicitava. Me enebrecia. Me envolvia. Me gozava. Me favorecia. Me enaltecia. Me acariciava.

Teu toque. Teu cheiro. Teu corpo. Teu beijo. Teu peito. Tua pele. Tua temperatura. Tudo me ausenta, me distancia.

Tão longe que nem parece perto.

Tão distante que nem parece dentro.

Tão amado que nem parece separado.

Me limito a escrever palavras em vão.

Palavras que apesar de destino certo jamais encontrarão seu fim.

Palavras que apenas posso usar como fuga, como escape, como ar.

Palavras que se destinam a ti meu amor, mas que nunca chegarão aos teus olhos.

Teus lindos olhos.

Que brilhavam quando eu olhava.

Que marejavam quando eu falava.

Que tão distante estão.

Te sinto como próximo mas te enxergo como distante. Te pedi essa distância. Me matei diariamente.

Tentando viver ao invés de sobreviver. Tentando ser o que você mereceu mas eu incapaz de enxergar, lhe neguei.

Um dia serei.

Um dia ainda vais se orgulhar.

Um dia ainda vais me querer?

Se minha escrita se torna longa é porque não cabe em mim o tamanho do sentimento que tua ausência me causa.

Pois não entra em mim nada que preencha o vazio. De olhar e não te ver. Gritar e não te ouvir. Chorar e não me socorrer. Pedir e não te sentir.

Não há tempo que me responda. Não posso pedir. Não posso adiantar. Não posso implorar.

É rei eles dizem. Quanto tempo o rei há de querer pra me acalmar, me preencher, me esvaziar?

Trocaria o mundo por você. Pra ter você. Pra sentir você.

Você me sente mesmo longe? Me ouve mesmo distante? Me vê mesmo sem me enxergar?

Nunca foi nossa culpa. Somos reféns dá vida. Sempre fomos.

Que bom que a vida permitiu me fazer refém junto de ti.

Eu amo você.

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