Sentido anti-horário

Acordam sem saber como o dia vai terminar, passam o dia receosos de receber uma nova chamada. A cada vez que o alarme toca, o barulho é ensurdecedor. O ponteiro continua girando. Eles insistem em encontrar uma solução. Entre discussões, muitos argumentos, buscam como calar o som que dói os ouvidos.

Às vezes, uma nova regra silencia o momento, mas enquanto isso, lá no fundo, continua o burburinho. Tão baixo que quase não se ouve, tão intenso que não dá pra evitar.

Cada vez que o alarme soa, é como se ouvissem dentro de si suas falhas. Todas suas tentativas frustradas. Começam tudo de novo, sem sair do mesmo ciclo.

Os ouvidos já nem doem tanto, só não os deixam ouvir outros sons. Cada vez que silencia, dizem que tá tudo bem, com o relógio na mão. Com medo da velocidade dos ponteiros que não param, eles não param.

A busca que não para, cala, cega, ensurdece, e dói.

Tudo isso, e mal sabiam eles que só precisavam parar.