Dor

Se a minha casa é o que sobrou de uma explosão, se comparado ao Universo eu sou pó, por que isso dói tanto? Se não tem sentido, se no final não tem moral da história e se cortar um pouco mais fundo no pulso tudo acaba, por que parece tão grande essa dor?

Se as estrelas que eu to vendo já morreram, por que eu olho pra elas em busca de uma luz? Se todas as luzes dessa cidade tão acesas e meu coração tá queimando, por que eu não consigo achar o caminho? Quando isso vai acabar? Quando o nada vai se portar como tal? Se eu sou tão insignificante que ter uma palavra pra isso é exagero, por que a dor dá tanta atenção para mim?

Essas linhas azuis cruzando meu corpo sempre me lembrando que eu sou nada, por que não levam essa mensagem até meu coração e dizem “você é nada então para de gritar”? E essas lágrimas apagando o fogo, por que não deixam consumir?

Os Universos têm infinitos grãos de poeira estelar. Eu dei o azar de ser gente aqui nesse lugar. Com tantos nadas pra eu ser, fui ser justo um que sente dor? Eu sou o nada que atribui sentido. O nada presunçoso. O nada que pensa que é mais que nada. O nada que esquece que não pode ser observado do telescópio de deus nenhum de tão pequeno que é, com tantas vistas mais interessantes no Universo…

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