Uma das coisas mais profundas que a psicologia me ensinou

La Bruja
La Bruja
Aug 28, 2017 · 2 min read

A psicologia é verdadeiramente desafiadora.

Escutar é uma das ações mais profundas e valorosas que a psicologia reforçou na minha vida e trajetória. Uma prática e postura diante do mundo — e a avançar a cada dia.

Escutar a outra, o outro. Escutar as dores do mundo, os prédios que desmoronam, as pontes que desabam e quem vive debaixo delas. Escutar o corpo diz, os ombros e colunas reclamam. Escutar como o desemprego afetou a vida do vendedor de balas no ônibus, a senhora que terminou o dia de faxina e só quer chegar em casa. Escutar a solidão de quem vive cercado por valores individualistas.

Ouvir não é o mesmo que escutar.
Escutar não é o mesmo que ouvir.

A gente pode ouvir o gemido sem escutar a dor; ouvir o tapa sem escutar o grito de socorro; ouvir a piada sem escutar a ofensa.

É preciso escutar as histórias e as trajetórias para, de fato, conhecê-las e conhecer quem está ali, à nossa frente. O que estrutura e dá sentido às suas vidas.

Escutar exige humildade e um tremendo respeito à quem está na nossa frente. Escutar com os ouvidos de quem sabe que ainda tem muito a aprender.

Dizer é uma necessidade.

Por isso que uma das grandes posturas do opressor é virar as costas para escutar o que o outro diz e o que esse outro carrega. É duvidar. Questionar. Desqualificar.

É o que o patriarcado e o racismo fazem: silenciam para dominar.

É compromisso da psicologia devolver ao outro a fala. Dizer é uma necessidade, uma tarefa, nossas responsabilidade no mundo. É tomar o lugar que é nosso por direito. Reconhecer a nossa história, erguer os punhos e lutar.

Se a gente não escuta, o outro se sente sozinho ou sozinha. Sem esperanças. Deixa de existir.

Se a gente não diz, a gente deixa o passado e os seus sujeitos dominarem as nossas vidas, contarem nossa história por nós. A gente não toma de volta tudo que nos roubaram.

Escutar e falar é convidar o outro a vir com a gente.

E, melhor ainda do que escutar, é quando a gente resolve fazer alguma coisa com aquilo. É quando diante de tudo que a gente já escutou e tudo que queremos, enxergamos o ponto de partida pra transformar o mundo e a vida das pessoas — se não for pra isso, não sei pro quê mais a psicologia pode servir.

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Publicado em perfil do facebook no meu quinto dia da psicóloga,

27 de Agosto de 2017.

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La Bruja

mulher coletiva escrevendo sonhos e tramando planos revolucionários até que todas sejamos livres!

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