Preciso falar desse cara

Conheci ele no Tinder. Essa frase pode parecer estranha, se tratando de um aplicativo que foi criado inicialmente pra sexo casual (e que na realidade eu só baixei porque só queria ver umas pessoinhas bonitas quando estivesse entediada), mas sim, existe mais do que sexo selvagem com desconhecidos por um dia lá.

Me chamou a atenção primeiramente a foto com uma gata. Abri, despretensiosamente. Uma foto com um baixo. Foto com cabelo grande. Foto com jaqueta preta. Foto com um chapéu de palha (? A única que destoava, mas que mais tarde descobri que ele tinha um amor imenso porque aquele chapéu aparentemente era perfeito).

“It’s a match”. Ele me manda uma mensagem elogiando minha descrição. Eu mando uma mensagem elogiando a gata. Ele manda uma mensagem dizendo que não sabia o que era Green Bay Packers, seria uma banda de rock alternativo? Eu respondo dizendo que era time de futebol americano. E assim fomos levando a conversa. Conversamos sobre filmes, sobre séries e sobre música. Já estávamos animados demais na conversa pra desistir porque morávamos em lados opostos da cidade (diferente dos 8km de distância que o Tinder mostrava).

Passamos madrugadas (ou início de manhãs, quando eu estava acordando pra ir pra faculdade e ele estava voltando da saída após o trabalho) conversando no Tinder. De lá, migramos pro Facebook. Do Facebook pro SMS (pra combinarmos onde estaríamos pro tão esperado e adiado primeiro encontro cara a cara), do SMS pro Whatsapp.

Nos encontramos pela primeira vez no dia do meu aniversário. Ele tinha virado a noite com medo de não acordar a tempo (algo meio recorrente no início do nosso relacionamento). Estava usando uma camisa social escura e uma calça preta, bebendo uma coca cola e fumando um cigarro. Absolutamente lindo. Todo o surto e a quase volta pra casa no meio do caminho tinha valido a pena. Foi paixão à primeira vista. Não que a gente já não estivesse caidinho um pelo outro antes disso, mas tudo bem.

Dias depois, demos nosso primeiro beijo ao som de “Starlight” (estava sendo cantado num karaokê, mas foi bonito do mesmo jeito). Pouco menos de um mês depois, começamos a namorar. O dia em que ele me pediu em namoro é inesquecível porque:

1- o pedido de namoro em si (ele me deu um pin com uma bola de futebol americano, e aprendeu algumas regras básicas do esporte pra poder conversar comigo sobre).

2- assistimos Jogo da Imitação e QUE FILMAÇO.

3- eu peguei o trem mais cheio da minha vida (era dia de Bloco da Preta no Centro do Rio), com literalmente carrinhos de mercado cheios de cerveja, todas as portas abertas e no meio da viagem um cara fez xixi com o trem em movimento.

Fomos em shows, viajamos, tivemos momentos memoráveis (como gritar “QUERO BISCOITO” em plena fila do metrô em São Paulo e eu pensar que fôssemos ser linchados), mas também ficamos quietinhos no quarto assistindo filmes e séries (não consigo conceber que ele acha Arrow melhor que Flash, mas é isso aí).

Cozinhamos (nosso hambúrguer é invejável), jogamos rpg juntos, ensinamos muita coisa um pro outro (ele conhece curiosidades sobre o cast de Supernatural e eu descobri altos canais no youtube que são tão, mas tão malucos que dão a volta e se tornam geniais).

Tivemos brigas, terminamos, mas estamos juntos hoje. Amadurecendo, incentivando um ao outro.

E comendo quantidades absurdas de pipoca enquanto maratonamos How I Met Your Mother pela 83ª vez.

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