Você não precisa largar tudo para começar a empreender. Faça isso no seu trabalho.

O mercado hoje é uma corrida para fazer qualquer coisa melhor, mais barato e antes que três garotos façam na garagem da casa deles. As empresas tracionais se sentem pressionadas a entender a nova língua que o mundo está falando e muitas procuram contratar jovens fluentes em Nova Economia para assumir o papel de interpretes. Mas essa relação é de muito mais tapas do que beijos. Enquanto os executivos das empresas penam para fazer essa dolorosa mudança de mindset, nós, do outro lado, contestamos os modelos de trabalho, queremos mais flexibilidade, propósito, openness, chating, autonomia e sonhamos em começar nossa própria stratup disruptiva, horizontal e vegana.

A prova de que essa relação é conturbada é o resultado da pesquisa Delloite Millenial de 2015 que entrevistou 7800 millennials de 29 países. 72% disseram que sentem que as empresas não fazem uso completo de seus skills e habilidades. 70% querem exercer sua criatividade no trabalho e não conseguem. 60% dos jovens dizem que “um senso de propósito” é parte do motivos para eles escolherem seus trabalhos e essa realidade sobe para 77% entre os “super-connected Millennials”. Momento pergunta retórica: Será mesmo que a solução para cada uma das almas desiludidas com o mercado de trabalho é abandonar suas empresas e começar a sua?

Vamos fazer as pazes.

Estamos em um momento transitório de entendimento mútuo. As empresas precisam entender como usar nosso potencial e nós precisamos entender como usar a força delas. Enquanto isso não acontece, não precisamos ter a reação emocionada e ingênua de colocar as empresas na cruz e o empreendedorismo em um pedestal. Para abraçar nosso espírito empreendedor, nem sempre precisamos abrir mão das nossas férias remuneradas e do décimo terceiro. Podemos aplicar nossas ideias e visões dentro das empresas.

Isso tem nome e muitas vantagens: intraempreendedorismo. Entrei em contato com o termo quando conheci uma liga de pessoas que se juntaram para pensar nessas transformações de dentro para fora. É um movimento global que vale muito a pena acompanhar de perto. Se quiser entender melhor, visite esse link: http://www.leagueofintrapreneurs.com/

Sendo intraempreendedores, contamos com o capital da empresa, infraestrutura, outras áreas com profissionais qualificados para nos dar apoio e com o potencial de alcance inerente às grandes corporações que abre a possibilidade de fazermos coisas boas e grandiosas que realmente impactam e mudam a vida de muitas pessoas.

Mas, claro, existem barreiras nesse caminho. O que mais escutamos é que as ideias inovadoras (e os inovadores) nem sempre são bem vindas. E o porquê é simples: quem quer mudança, incomoda. Muitas vezes você tem uma ótima ideia, com embasamento e visão, mas a gerência arraigada paralisa, não deixa passar. Não me entenda mal, não quero achar culpados. Até porque a gerência está na difícil posição do meio da pirâmide, onde precisam lidar com a pressão de baixo por mudança, administrar os sonhos do topo, e entregar resultado no fim do mês.

A melhor forma de lidar com quem bloqueia não é lutar contra, nem desistir de propor ideias que acreditamos. Se você não concorda com alguma coisa e não faz nada para mudar, tem parte da culpa. Devemos ter empatia e sensibilidade para entender os motivos atrás dos “nãos” e traçar a melhor estratégia de forma, momento e discurso para mostrar os nossos pontos de vista.

Vamos intraempreender.

Faça uma autoanálise. Entenda o que te move, as bandeiras que você levanta, o que te faria mais feliz no ambiente de trabalho. Então analise os desafios que a sua organização está enfrentando. Você defende o home office? Será que, de alguma forma, um dia de trabalho alternativo por semana poderia ajudar a solucionar um problema de rendimento? O mundo está cheio de boas ideias, mas elas precisam resolver problemas reais.

Comece pelo seu departamento. Proponha uma pequena mudança para o seu chefe e pense em uma forma de mensurar os benefícios e colher dados. Vendo um retorno positivo, proponha outra, e assim por diante. Precisamos pensar grande, mas é importante começarmos pequeno. Tanto para aprender, quanto para ganhar confiança e espaço com as conquistas. Para facilitar o processo, identifique as pessoas que pensam como você e monte uma rede de aliados. De preferência com competências diferentes das suas, que te ajude a ter outras visões dos problemas e a pensar de uma forma macro em projetos para a empresa.

A importância de criar pontes

Eu diria que se você sentasse com o presidente da sua empresa para tomar um café e contasse todas as suas ideias mirabolantes para o futuro da firma, ele iria ficar, no mínimo, empolgado. E é isso mesmo que precisa acontecer. Não um café, mas uma ponte. É muito importante criar buracos na rotina para inflar de inspiração em que a hierarquia é deixada um pouco de lado e a conversa acontece de forma mais horizontal. Esses momentos que aproximam as ideias de quem tem poder de botá-las em prática é uma maneira de aproveitar o melhor de todos.

Conclusão

Existe um mar de potenciais pouco explorados por aí e a solução não precisa ser largar tudo e começar do zero. Ao invés de só apontarmos os problemas, podemos começar a pensar em soluções para as organizações. Se você acredita que as suas ideias são boas para o negócio, mas ousadas o suficiente para alguém embarreirar antes de subir, seja estratégico e construa pontes. Em toda empresa existem pessoas com ambições tão grandes quanto as suas. A revolução pode sim começar de dentro pra fora. É difícil? É. Mas a única coisa mais frustrante que nunca conseguir, é desistir de tentar.


Se você é completamente descrente da abertura para mudança em qualquer nível dentro da sua empresa, talvez esse lugar não seja mesmo para você, mas esse app pode ajudar: http://goodpeopleapp.com.br/


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