Quer morar dentro ou fora do bunker?

Caroline Machado
Sep 7, 2018 · 2 min read

Andei sumida, eu sei… Mas já voltei!

Essa semana comecei a assistir uma série chamada “Amazing Interiors”, no Netflix. Indicações do Patrick sempre são sucesso! Ontem, todavia, eu estava assistindo um episódio e fiquei tremendamente encabulada.

A reforma principal do episódio seria numa espécie de bunker gigante. O homem que idealizou a estrutura dentro do bunker afirmava que aproximadamente 20 pessoas poderiam viver confortavelmente ali durante aproximadamente 1 ano. Luz, acomodações, comida e água. O básico para viver com conforto enquanto o mundo estivesse literalmente em chamar.

A água, obtida de um poço há 1.300m da superfície, segundo ele, não seria atingida pela radiação caso o mundo virasse uma coisa verde e brilhante, estilo caneta marca texto, por conta da radiação no ambiente.

Eu achei inteligente a ideia. Realmente interessante. Mas, mais que isso, fiquei assustada. Óbvio que eu chego a brincar com certa frequência sobre o fim do mundo, contudo, na minha perfeita ilusão, isso só aconteceria por um gigantesco desastre natural ou algo do gênero (um meteoro gigante, por exemplo).

Negar a atual situação na qual vivemos, todavia, não é uma alternativa. Infelizmente, sim, pessoas têm se preparado para quando as guerras destruírem o nosso planeta. Esse pensamento me atingiu como um socão no queixo. Um cruzado de direita.

Não sei se essa é uma característica dos meus contemporâneos, o fato de ignorarmos que coisas terríveis podem acontecer, ou se em todos os momentos da história as pessoas passaram por isso. Mas, para evoluirmos, infelizmente precisamos colocar o dedo na ferida. Depois ele sara e, se continuarmos tomando cuidado, ele nem infeccionará.

Merthiolate não vai impedir que a raiva, o ódio e, especialmente, a falta de respeito transformem o mundo que conhecemos em cinzas. Conscientizar, ensinar e explicar, sim. Amar o próximo, respeitá-lo e permitir que ele mude, sim. É facílimo derrubar a parede da paz com murros e pontapés. Construí-lo, todavia, requer delicadeza.

Para tanto, precisamos estar dispostos a enxergar e a fazer enxergar. Portanto, seja delicado! Faz bem pra você, faz bem para mim. O mundão agradece e as pessoas que você irá ajudar também! Assim, no fim, não precisaremos de bunkers.

    Caroline Machado

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    Artista independente (aka sem grana). Poeta. Feminista. Legalmente adulta. Autora de “Como matar Olga?”: https://amazon.com/author/carolinemachado