Foto/Edição: Caroline Rodrigues

Marcas do câncer de mama

Foto: Caroline Rodrigues

Tatiani Fernandes Teixeira Borghezan, professora universitária, hoje com 29 anos, mora em Jaguaruna SC, fala da sua luta contra o câncer de mama, que foi descoberto aos 27 anos de idade.

“Entrei em desespero, e a primeira coisa que veio na minha cabeça é de que eu iria morrer muito jovem, sem poder ter a oportunidade de ter meus filhos”, destaca Tatiani.

A descoberta do câncer de Tati, como é chamada por todos, aconteceu porque a madrinha dela lutava contra um câncer de mama há mais de 20 anos. Mas no ano passado, a doença voltou com mais força ainda, e ela não resistiu. Trinta dias depois da morte de sua madrinha, Tati ficou preocupada e fez o autoexame no banho, e constatou um caroço em uma das mamas. Ela não tinha certeza se o que tinha encontrado poderia ser um câncer, mas o desesperou tomou conta, e logo procurou um especialista para saber do que se tratava. Ela sempre se mostrou forte, mas quando os resultados dos exames saíram, confirmando que era realmente um câncer de mama, e que ela teria que passar por todo o processo de tratamento do câncer , seu primeiro pensamento foi de que seus cabelos iriam cair. Pensamento este, que Tati se envergonha até hoje, pois este detalhe era muito pequeno do que vinha pela frente. O Câncer dela era muito agressivo, e de uma semana para a outra, cresceu muito. Sua médica queria operá-la o mais rápido possível, mas Tati, na primeira semana em que foi confirmado o câncer, ficou sem reação, porque tudo estava acontecendo tão rápido. Mas com a ajuda dos seus familiares, que lhe apoiaram muito, ela tentou a cirurgia de mastectomia e colocação da prótese de silicone pelo SUS. Mas um dos problemas seria a espera na fila para essas cirurgias de alta complexidade, que demoraria de 3 a 6 meses, e Tati não poderia esperar.

“Tudo estava acontecendo tão rápido na minha vida, mas me mantive forte para enfrentar tudo que viria pela frente,” fala Tati.

Ela explica que dias antes da cirurgia, sua fé em Deus e o amor dos seus familiares lhe deram muita força para lutar contra esta doença, que a fez sentir tanto medo de morrer. O câncer assustou Tati, mas quando ela passou pela cirurgia de retirada das mamas, e junto a colocação das próteses, o que o câncer tinha tirado dela, a vida tinha devolvido uma parte importante do seu corpo. “A cirurgia de retirada da mama não me abalou tanto, porque eu coloquei a prótese de silicone na mesma cirurgia. No meu caso foi assim, mas em outros casos, as cirurgias reconstrutoras são feitas aos poucos,” destaca Tati.

Foi o caso da Adriana Francisco que mora em Tubarão SC, ela descobriu o câncer aos 37 anos de idade. Hoje com 40 ela está na fase final da reconstrução mamária. Ela sempre teve o hábito de fazer o auto-exame no banho, e um dia sentiu um carocinho no lado esquerdo do peito.

Foto: Caroline Rodrigues
“Achei que era normal aquele carocinho que eu tinha encontrado, pois eu estava no período pré-menstrual, e é normal aparecer esses nódulos que depois desaparecem,” destaca Adriana.

O suposto nódulo de Adriana não desapareceu. Ela sentia uma dor estranha perto dos seios. Então ela procurou um médico, que logo encaminhou ela para fazer o ultrassom, meio mais rápido para se confirmar o câncer de mama. E a doença se confirmou. “O Câncer em menos de três meses tomou conta da minha mama toda. Meu médico disse que não teria como fazer a cirurgia já de início. Eu teria que passar primeiro por quimioterapia para diminuir o nódulo”, fala Adriana. Ela passou por seis sessões de quimioterapia, mas logo nas duas primeiras, o câncer de Adriana diminui bastante, mas seu cabelo começou a cair. Para ela, o fato de perder todo o cabeço não a fez desanimar, muito pelo contrário, ela encarou como um desafio que a vida lhe tinha dado.

“Começou a cair, e ficou muito seco o meu cabelo, pois com o tratamento, os fios ficam sem vida. Uma amiga minha tinha salão de beleza, e ela cortou bem curtinho. Eu tinha gostado muito do meu novo corte, mas depois eu tive que raspar, porque meu cabelo estava caindo em grandes mechas,” destaca Adriana.

A grande dificuldade para as mulheres que descobrem o câncer de mama, é não saber o que fazer e para onde correr. A importância da filha na vida de Adriana foi muito importante, pois a mulher ao descobrir a doença sente-se perdida. O tratamento dela foi toda pelo SUS, mas algumas dificuldades ela encontrou pelo caminho, como no caso do exame de ultrassom, que é o exame que mais demora, em torno de cinco meses para ser realizado. No caso dela, ela pôde pagar, pois o prazo para ela realizar este exame é de 6 meses em 6 meses. Adriana teve que retirar toda a mama, mas não sabia e não tinha expectativa alguma, de como ia ser depois, se ela poderia ter de volta os seios.

Reconstrução das Mamas

Foi o cirurgião plástico Dr. Felipe Nascimento do Hospital Nossa Senhora da Conceição em Tubarão, que proporcionou a Adriana uma nova chance de ter seu seio reconstruído. Segundo o médico, no caso dela, suas mamas foram retiradas por completo, porque o câncer era violento. As cirurgias de reconstrução em Adriana estão sendo realizadas aos poucos, ano que vem será sua última, com a colocação da auréola.

Existem alguns caso, uma porcentagem bem pequena, em que a reconstrução das mamas não podem ser feitas, como em pessoas que tem Cardiopatia grave, quando o coração perde sua funcionalidade por causa de alguma doença no órgão. Segundo o Dr. Felipe, antigamente existiam muitas linhas de tratamento para o câncer de cama, mas hoje cada paciente recebe um tratamento personalizado.

Cirurgião plástico Felipe Nascimento e a paciente Adriana Francisco — Foto: Rafael de Jesus
“Todo o processo de tratamento que a mulher tem em relação ao câncer da mama, vai me dizer qual o melhor momento para fazer a cirurgia reconstrutora,” fala Felipe.

Tubarão torna-se o centro das cidades vizinhas, pois possui um dos melhores hospitais da região de alta complexidade, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, que realiza as cirurgias de reconstrução das mamas pelo SUS. Segundo o Dr. Felipe, o câncer de mama, na região Sul do Brasil tem uma grande incidência e semanalmente as cirurgias reconstrutoras são feitas. Mas a fila sempre aumenta, pois nem sempre o tratamento inicial do câncer se dá pela cirurgia.

“Hoje em dia existem mais de 1.200 mulheres aguardando na fila do SUS para a reconstrução das mamas,” destaca Felipe.

Traumas da doença

Algumas mulheres conseguem levar uma vida normal quando se descobre o câncer, mas outras perdem a autoestima. É uma doença muito temida pelas mulheres, pois cada vez mais ela está presente em nosso meio, seja em qualquer faixa etária. A psicóloga Aparecida da Silva fala sobre como as mulheres devem enfrentar os traumas que a doença trás, e também sobre as diversas formas que existem hoje, para ter uma vida melhor, mesmo com a presença da doença.

Psicóloga Aparecida da Silva — Imagens: Luis Tavares

Amizades que nascem através da doença

Adriana e Tatiani não se conheciam, mesmo morando perto uma da outra. Foi através do ensaio fotográfico que as duas puderam trocar suas experiências da luta contra o câncer de mama. Confira abaixo o making off do ensaio fotográfico realizado com essas duas mulheres guerreiras, no Parque Ambiental da Tractebel, em Capivari de Baixo, SC.

Making Off Ensaio Fotográfico com Adriana Francisco e Tatiani Borghezan - Imagens: Iuri Castelo

Confira agora na integra, as fotos do ensaio fotográfico com Adriana e Tatiani:

Ensaio fotográfico com Adriana Francisco e Tatiani Teixeira Borghezan — Fotos: Caroline Rodrigues

Câncer de mama no Brasil

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo, depois do câncer de pele não Melanoma, que corresponde cerca de 25% de novos casos a cada ano, se apresenta com maior incidência, mas com baixa na mortalidade. Em 2015 para o Brasil são esperados 57.120 novos casos de câncer de mama, com um risco de aproximadamente 56 ocorrências a cada 100 mil mulheres, dados gerados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva).

Veja no gráfico abaixo a incidência de câncer de mama nas regiões do Brasil:


Um Autoexame pode valer a vida

Nem sempre damos importância à prevenção em relação a nossa saúde. Ou porque não temos tempo, ou nos acomodamos demais em relação ao nosso bem-estar. Mas não somos de ferro, e quando menos esperamos a doença nos pega de surpresa. A maioria dos diagnósticos do câncer de mama ocorre em mulheres de risco normal, que não tiveram casos de câncer na família, representando 80% do primeiro caso de câncer na família. No Brasil a descoberta do câncer de mama em estágio inicial corresponde apenas 5%, e já nos casos avançados o percentual aumenta pra 40%. Um dos principais motivos para esse aumento é que cerca de 20% das mulheres, que estão na faixa de risco e que precisam realizar os exames de prevenção, não os fazem corretamente, ou deixam de fazer todos os anos, como é recomendado. Apenas 6% deste grupo realizam os exames de mamografia com periodicidade. Saber que o câncer de mama existe não protege ninguém dele, e o melhor caminho é a prevenção. Valorize sua vida, faça o Autoexame nas mamas.

Imagens: Caroline Rodrigues e Iuri Castelo, Produção: Caroline Rodrigues, Rafael Santos e Iuri Castelo, Entrevistados: Adriana Francisco, Tatiani Teixeira Borghezan, Cirurgião Plástico Felipe Nascimento, Psicóloga Aparecida da Silva, Dados do Inca - Instituto Nacional do Câncer. Ediçao e Produção Pela aluna da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul): Caroline de Souza Rodrigues, Orientador e supervisor professor Marcelo Barcelos - Disciplina: Mídias Digitais - Novembro de 2015 - Tubarão SC