A indecisão de um(a) bissexual

Imagem: adaptação do projeto da Carol Rossetti, “Mulheres”

Quando eu fiz 15 anos, a bissexualidade era “moda”; tinha uma amiga que se relacionava afetivamente com outra menina, uma “machorra”, como gritava aos sete ventos a população da pequena cidade que morávamos. Eu, em total inconsciência, entrei na moda. Até então nunca tinha beijado ninguém, mas sempre aleguei ser bissexual. Era comum mentir assim para fazer parte de um grupo em questão (e creio que nunca deixará de ser). Entretanto, algo curioso aconteceu, a mentira se tornou, inconscientemente, verdade e eu comecei a querer beijar essa minha amiga. Talvez tenha sido nesse pequeno episódio da minha vida que me vi como bissexual.

Mas pera ai, se você quis beijar uma menina, isso não te torna lésbica?

Calma jovem padawan, há muito mais entre o hétero e o homossexual do que possa sonhar sua vã filosofia.

Hoje, considerando-me bem resolvida com minha sexualidade, namoro um homem. Não, não deixo de sentir atração por mulheres apenas pelo fato de namorar um homem. Mas, aparentemente, muitas pessoas esquecem desse fato, inclusive no meio do movimento/grupo ao qual eu julgo pertencer, o famoso LG ~B~T.

Certo dia, conversando com um amigo gay, este me solta a seguinte pergunta “Você fica com meninas. Mas você não é hétero?”, pacientemente, eu respondo: “Eu posso namorar um rapaz, mas isso não exime o fato de eu gostar de pepekas também. O nome é bissexual; é o nome”. Ele pareceu não acreditar muito, e isso é ridiculamente comum. Ninguém acredita na indecisão de um bissexual.

Na realidade dos fatos, o que mais dói é não ser entendida no próprio movimento/grupo que te abriga. Parece que o mundo gira nessas polaridades desnecessárias: homem x mulher, negro x branco, bem x mal, hétero x homo. Enfim, termino esse breve desabafo dizendo que há muito a ser desconstruído em tudo que engloba a sigla LGBT.

#pas