De mim. De nós. Do nada.

“Um beijo que nunca vai acontecer”

Tu diz e eu percebo a tristeza da situação. sinto o peso do beijo que nunca vai acontecer, antes de sentir o alívio de perceber os olhares voltados um pro outro.

O beijo já não importa quando se tem tu e todo esse universo de tu. Universo se tornou banal pra te descrever, mas não tem palavra que abranja tudo que existe e nem coisas que não existem.

Tu guarda todas elas nos teus olhos que brilham e nas pontas dos dedos que beijei em gratidão. Gratidão.

Vejo um beijo marmorizado e tu pontua que ele aconteceu. Digo que é eterno. É meio tu e eu e nossas almas gêmeas, amigas, irmãs, amantes. O nosso beijo é eterno.

De mim, de nós, do nada, o Big Bang. A grande luz. E o adeus.

Implodo e desmorono e tu segura aquilo que não posso segurar. Durmo enrolada no teu lençol e tem uma ampulheta que conta minutos que não passam e um livro que ainda não tive coragem de ler.

Mas em mármore ou pele humana o nosso olhar um pro outro é infinito e nunca acaba, como aquelas estátuas.

Eu te olho, rendida. E eu vou sempre olhar. E se tu desviar o olhar eu implorarei pra que Medusa me reduza a pedra.

Seguro tua mão, beijo teu ombro, olho teu olho. É um grito silencioso, uma súplica agonizante pra que tu não me esqueça. Preciso que tu não me esqueça, senão vou precisar me esquecer também.

De mim. De tu. De nós. Do nada, eu entendo o que é amor.

03:42, 30 de julho de 2018. Aqui sobrou saudade.