Eu antes do Big Bang

Antes do Big Bang eu era uma partícula de nada flutuando pela escuridão do Caos.

Antes que Gaia e Urano se unissem, eu descansava nos braços de Morfeu, sonhando os sonhos mais lindos e ouvindo as musicas mais doces.

E então acordei.

Acordei nesse mundo sórdido e cruel, onde as palavras que me ninavam em meus sonhos pré-existência, hoje me ferem como navalhas passeando por minha pele.

Eu nasci.

E muito embora o nascimento em muito seja uma benção, às vezes me sinto como uma flor na qual são atiradas pedras. Nesse mundo não há musica doce que embale meus sonhos. Nesse mundo há a fria sensação de se estar acordado mesmo quando se está dormindo.

Nesse mundo eu me sinto frágil, me sinto como se eu estivesse vestida no tecido do meu coração. Como se meu corpo não me protegesse da dor de estar aqui.

Sinto que quando amo tudo dói. Porque tem que ser assim? Porque não posso ser forte e dura? Porque tudo me afeta tanto?

Me sinto errada, como se não fosse uma boa pessoa. Me sinto incompreendida, como alguém cujo corpo não aprisiona e protege o coração, mas sim o contrário.

Eu antes do Big Bang era eu, e o Caos era carinhoso. Eu depois do Big Bang sou do avesso.

São 01:37 e eu me sinto uma pessoa horrível. São 01:38 e eu me sinto incompreendida. São 01:39 e me sinto presa entre ser insensível demais quando me confrontam e ser sensível demais quando me confrontam.

São 01:40 e eu sinto muito.

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