Fui diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada (também conhecida como TAG) e início de depressão há um ano e meio. Lendo alguns cadernos onde escrevo o que sinto quando é preciso “desabafar com o papel”, percebo o quanto sofri antes de receber o diagnóstico e como me transformei numa mulher forte agora.

De uma hora para outra, a garota alegre e empática se encontrou dentro de algo que parecia ser um labirinto sem saída, sem vida e escuro. Os choros começaram a ser constantes e sem nenhum motivo aparente. Me pegava sentada num canto, olhando pro nada, com um turbilhão de pensamentos na minha mente, incontáveis vezes. Acordava de noite e não parava quieta, virando de um lado para o outro da cama, com os pés inquietos. Acordava pra trabalhar e já estava cansada. E no trabalho eu não rendia, pois olhava pra tela do computador e não via motivos para fazer uma das coisas que mais gosto no dia a dia. Brigava sem motivos com o meu namorado e com a minha família; eu só queria ficar sozinha e em paz, mas os pensamentos repetidos não permitiam isso. Não sabia o que estava acontecendo comigo e nem se voltaria ao normal. Esse era o meu maior medo.

Eu achava que era só uma fase e os meus pais também. Ninguém levou a sério no começo… Na verdade, é bem difícil quando isso acontece!

Minha mãe dizia pra eu rezar e afastar os pensamentos ruins. O problema era que eu rezava, e muito. Queria que aquilo que eu estava sentindo fosse embora de vez, que eu me sentisse feliz e viva novamente.

Depois de quase um mês assim, decidi passar numa psiquiatra. Meus pais me acompanharam na primeira sessão e, durante o trajeto até a médica, ficava me questionando sobre o meu estado mental, se isso era realmente necessário ou estava apenas exagerando em procurar um profissional. A verdade é que eu sabia que não conseguiria enfrentar isso sozinha e precisava de ajuda — qualquer ajuda seria bem vinda. E foi neste dia que recebi o meu diagnóstico e comecei imediatamente o meu tratamento com remédios.

A minha psiquiatra recomendou terapia e exercícios físicos, mas como não tinha tempo para treinar, acabei optando por sessões com uma psicóloga mesmo. Preciso dizer que só aguentei dois meses com ela, no máximo. É muito estranho falar de seus problemas ou da sua vida com alguém que nem te conhece e, no meu caso, com alguém que nem fazia questão de querer me conhecer e me entender. Infelizmente a minha primeira experiência na terapia foi horrível e acabou sendo a última até então. Sendo assim, segurei firme apenas com os remédios e com o apoio das pessoas queridas.

Com o tempo, os choros constantes diminuíram, voltei a sorrir e a me concentrar nas coisas. Fui arrumando toda a bagunça que isso deixou dentro de mim e valorizei mais do que nunca as pessoas que estiveram do meu lado. Meu namorado, minha família, alguns amigos, todos eles foram importantes para a minha recuperação.

Descobri o verdadeiro significado da expressão de que “a vida é como uma montanha russa: uma hora você está lá em cima, outra lá embaixo”. A parte boa de quando se está embaixo é que você só tende a subir e o aprendizado que você tira desses momentos são importantes demais. A cada queda, você se levanta e se torna mais forte. E eu me sinto muito forte agora.

Hoje caminho lado a lado com a TAG. Consegui me livrar da depressão, mas confesso que morro de medo dela voltar. Tento me manter forte, fazer coisas que me deixam feliz e estar com quem me faz bem. Não é sempre que estou bem. Existem os “dark days”, os quais a ansiedade realmente ataca, mas depois tudo fica bem…

Passei a valorizar os dias maravilhosos e tirar de cada detalhe um aprendizado. A minha felicidade, minha qualidade de vida e meu estado mental se tornaram aspectos os quais prezo muito. Todo jovem tem esse problema, de querer fazer tudo ao mesmo tempo, e não se preocupa com a saudabilidade da vida que leva. Se eu tivesse me preocupado antes, talvez não tivesse dado passos maiores do que as minhas próprias pernas, mas, por outro lado, não teria me tornado quem eu sou hoje.

Decidi compartilhar esse texto com vocês pois acredito poder conscientizar as pessoas com as palavras. Não quero me mostrar, de forma alguma, ao contar sobre minhas fraquezas. Pelo contrário, quero poder ajudar o máximo de pessoas possíveis, que ao ler este relato não se sintam mais sozinhas. E claro, dizer para essas pessoas que “SIM, é algo sério, mas SIM, tem tratamento”. A vida é muito linda para ser jogada fora.