Branding Ashaninka
Mas branding para os Índios, Carol? Como é isso? Por que eles precisam de branding? Como eles chegaram até você?
Essas três perguntas foram invariavelmente feitas por todas as pessoas que conversaram comigo nos últimos dias. Para tentar responder essas e algumas outras questões e compartilhar um pouquinho da experiência incrível que eu estou só começando a viver, resolvi escrever mais um artigo.
Quem são os Ashaninkas?
Existem no mundo aproximadamente 60.000 Ashaninkas sendo que destes apenas aproximadamente 10.000 vivem em território brasileiro, já os demais estão no Peru. Meu trabalho é com a Aldeia Apiwtxa - que significa união na língua Ashaninka - localizada na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia em Marechal Thaumaturgo no Acre. Lá vivem aproximadamente 850 índios.
O primeiro desafio aqui é desconstruir completamente nossa imagem de “índio”. Não espere encontrar aqui pessoas ingênuas, primitivas ou “selvagens”. Por essas e outras imagens pré-concebidas eles sequer gostam de ser chamados de índios.
Os Ashaninka são um povo milenar que habitam aquela região muito antes do descobrimento do Brasil. São pessoas simples e muito sofisticadas, extremamente inteligentes, movidas por um propósito muito forte e verdadeiro de cuidar e proteger a Floresta. Dotados de uma visão de mundo muito poderosa e urgente para toda a nossa sociedade os Ashaninkas não só acreditam na verdadeira sustentabilidade ambiental - onde humanos, floresta e animais podem co-existir em harmonia - como fazem da floresta sua vida, sua história, cultura e espiritualidade.

Por que os Ashaninkas precisam de branding?
Se a sustentabilidade ambiental é o meio natural da vida Ashaninka, o mesmo não podemos dizer da sustentabilidade econômica ou social. Nossa complexa sociedade criou inúmeras maneiras de sistematização, produção e comercialização que não são inerentes da sociedade indígena e que, de certa forma, são necessárias de serem compreendidas para que eles possam se fortalecer, se desenvolver e proteger sua cultura e a floresta.
Com esse objetivo, os Ashaninkas escreveram e aprovaram junto ao BNDES o Projeto Alto Juruá que, dentre outras rúbricas, contempla o fortalecimento institucional e comercial da Apiwtxa. (Mais sobre esse projeto incrível pode ser lido aqui.)
É justamente nesse ponto que entra o branding. Para o desenvolvimento econômico estão sendo pensadas e desenvolvidas muitas frentes de trabalho que incluem o artesanato, as produções de polpa de fruta, vivências e a própria causa em si. Como levar esses produtos, serviços e experiências para o mundo sem todo o valor agregado que a cultura e o modo de vida Ashaninka possuem? Meu desafio ao co-criar essa marca com eles é trazer esses símbolos e significados para a construção dessa marca que possui o propósito mais forte, verdadeiro e relevante que eu já vi - e senti.

E como eles chegaram até você?
Para se fortalecer e se desenvolver de forma sustentável os Ashaninkas compreenderam que deveriam se unir a parceiros que fossem capazes de compreender e respeitar sua cultura e estivessem dispostos a unir forças, conhecimentos e habilidades com o mesmo propósito. Desde então, eles vem construindo diversas pontes. Nesse caminho a Rever Urbano, uma empresa de desenvolvimento de territórios e cidades, se firmou como uma grande parceira - liderada pelo Márcio Calvão. Márcio e a Rever são também os responsáveis pela CEU - Casa de Empreendedores Urbanos - também conhecida como nossa casinha em Santa Teresa e escritório da minha empresa, a Fáctil. Essa é a beleza da sociedade e do trabalho em rede.
Posso dizer que sinto que encontrei na Amazônia um dos maiores propósitos da minha vida o qual pretendo transformar em uma grande missão. Ainda tenho muito a descobrir e compartilhar sobre esse sobre esse povo incrível. Ao longo do projeto pretendo contar mais sobre o Mundo Ashaninka compartilhando experiências, desafios e aprendizados.
