O primeiro dia chuvoso de inverno

Hoje acordei meio “sei lá”, com aquela vontade apenas de existir, sem querer fazer muito esforço físico ou mental. Tempo nublado, chuvoso… Perfeito para não sair das cobertas. Tomei aquele banho para acordar, com o pensamento longe… Abri o guarda roupa e me deparei com um mundo de peças que nenhuma me satisfaria. Não hoje.

- A noite tinha sido tranquila e tal, sono bom, sem interrupções mas o dia não estava começando tão em paz quanto eu queria. Eu também não sabia o motivo. -

Minhas roupas não são as mais coloridas possíveis, aliás é uma quantidade de camisas cinzas que ninguém consegue explicar. Simplesmente combina com tudo e isso me basta. Eu queria uma roupa “ok”. Uma calça jeans e uma blusa resolveria. Mas não. Eu queria mais.

Queria mais o quê? Tudo que eu tinha estava bem ali na minha frente e era o bastante. Não sabia o que procurar, mas procurei. Perguntei a mim mesma o que eu tanto fuxicava naquele armário, o ponteiro não parava de girar, a hora estava correndo e eu precisava sair para os meus compromissos.

Sai. O dia ia se tratar de sanar essa minha procura no guarda roupa. E talvez tenha resolvido de fato. Andei na rua observando cada um dos detalhes e destaques, notando que o dia nublado não é tão sem graça, as sombrinhas e guarda chuvas enfeitam o ambiente. Uma conversa alta no telefone dentro do ônibus incomoda, mas te faz viajar, cogitar mil e umas possibilidades de soluções para aquela discussão. O casal se beijando na calçada transmite amor e mostra que o carinho importa de verdade. Aquele abraço da amiga do trabalho faz uma puta diferença, aquece o dia e da vontade de continuar. O café fresco te dá energia e disposição, organiza as ideias.

O dia finalmente fluiu, as obrigações foram cumpridas e minha blusa cinza com calça jeans não bastou. Eu queria mais que uma roupa, eu queria me vestir de poesia e descobrir muito mais que um primeiro dia chuvoso de inverno.

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