Susana Fumava Cigarros como Quem Fumava Baseados

Segurava-os pelo meio e puxava a fumaça longa e profundamente, fazia um movimento rápido com a boca a fim de prendê-la nos pulmões e, vira e mexe, caía num ataque de tosses que apenas me irritava. Eu simplesmente odiava observá-la fumando cigarros com descontrole.

“Ele sempre fazia isso, tá me entendendo? Sempre…” puxou a fumaça devagar, “Uma vez estávamos no casamento de uma amiga num sítio…” prendeu, “E ele me arrastou pra trás de uma árvore mais isolada e DO NADA, do nada mesmo… comeu meu cu...”

Eu queria dar um tiro nela. No cigarro. No isqueiro. Em mim. Eu apenas desejava que o objeto de todo meu ódio morresse lentamente. E não posso dizer que senti pena quando a notícia do câncer de laringe veio à tona, e muito embora da minha boca apenas se ouvisse “Que tragédia, amiga. Um horror!”, senti, na verdade, certo alívio quando Susana disse com os olhos repletos de lágrimas “6 meses, se não parar de fumar, menos… 4, talvez 3…”. Os amigos lhe abraçaram. Eu senti culpa e repulsa a mim mesma por ter sido dominada por um sentimento tão ruim. No entanto, a culpa não durou mais que um minuto, infelizmente, Susana não estava disposta a abandonar o vício e declarou sem hesitação: “pois serão os 3 melhores meses da minha vida…” acendeu um cigarro em meio ao pranto e fez minha mandíbula retrair em ira.

“Mas que filha da puta!” pensei. Susana fumava cigarros como quem fumava baseados e fez isso por mais 15 anos, antes de morrer em um acidente de carro.