Val Duarte: exemplo de superação e empoderamento

Seu nome é Valéria Duarte. 42 anos. Cabeleireira. Mãe solteira de duas filhas. Amante da gastronomia. Hoje é dona de seu próprio negócio, mas nem sempre foi assim. Cresceu no município de Magé, numa cidadezinha chamada Piabetá, interior do Rio de Janeiro. É uma das caçulas dentre 9 irmãos. Aos treze, enfrentou o primeiro obstáculo de sua vida: seu pai sofreu um acidente e ficou paralítico. Não podia mais trabalhar. O pão era reservado para os dias de domingo, muitas vezes não tinha o que comer. Faltou estudo, que só pode completar até a sétima série do colegial. Diante desse cenário de desespero, ela e seus irmãos foram trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Foi morar no Rio de Janeiro então, para trabalhar como empregada doméstica. Aos 17 já se ocupava em casas de família e só ali conheceu o que era fartura. Experimentou alimentos que nunca tinha tido a oportunidade. Essa talvez seja a razão por hoje valorizar a comida na mesa. Aos 19 se casou e teve Raíssa, sua filha mais velha. A família recém-formada foi morar em Petrópolis, onde havia menos violência e mais oportunidade de emprego para seu marido. Depois de sete anos, o pai de suas filhas (Júlia já era nascida) faleceu e Valéria ficou sem chão, pois já havia reestruturado toda sua vida na Cidade Imperial. Com duas filhas para criar e vivendo numa corda-bamba, ela se viu obrigada a vender o salão que havia montado. Com o dinheiro contado, foi morar numa casa da família. Só que ela não sabia que o local estava destruído e havia muitas dívidas pendentes. Mais uma vez, teve de fazer obras e mais obras, até que suas economias foram se acabando. Procurou empregos e tomou alguns “nãos” até que encontrou um na Tijuca, Zona Norte do Rio (após correr contra o tempo buscando uma vaga na creche para Júlia) e nele trabalhou durante um ano. Depois foi indicada para trabalhar em um salão novo, também no bairro, onde ficou durante quatro anos. Sônia era sua patroa, que acabou se tornando sua amiga. Em meio à algumas dificuldades, Sônia precisou fechar o salão e, novamente, Valéria estava sem perspectiva. Foi quando entrou em pauta o micro empreendedorismo. Val pesquisou sobre o assunto, analisou quanto deveria economizar para montar seu próprio negócio. Após um acordo com sua antiga chefe para receber seu FGTS, conseguiu abrir o Perfil Tropical, salão localizado na Rua Aguiar, na Tijuca. Com uma clientela fiel e apoio de seus amigos e sua família, Val (muito querida por todos) está mantendo seu empreendimento há dois anos e pagando as contas de sua casa com os frutos de seu trabalho. Ah, ela também mandou a filha mais velha (Raíssa) para Buenos Aires, para poder realizar o sonho dela: estudar medicina e está morrendo de saudades. Já a Júlia, que hoje tem dez anos, continua estudando e brincando de boneca, seu passatempo favorito. Os cachorros, Lola e Lorde, permanecem como companheiros para vida inteira. E Val… Bom, sua história não termina por aqui. Ela ainda tem muitos planos para seu salão e para seu futuro, que de acordo com ela, à Deus pertence.

Para ter acesso aos relatos, basta acessar os links: