Poesia para dias sombrios

Carol Acioli
Sep 5, 2018 · 2 min read

Para minha Esposa, aquela com alma de fênix e sorriso de sol.

Vem, ata teu beijo no meu sorriso
Meu coração ainda acelera quando você chega pertinho assim.
Vem, desata os nós comigo
Eu ainda arrepio sim, ao primeiro toque teu querendo um pouco de mim

Veja, meu bem, a vida tem sido injusta
A vida pulsa e não para, não nos dá tempo para olhar
Dentro dos olhos, dentro de si
E eu sei, é cansativo resistir
As dores só deixam mais certo que o inevitável e o incerto vão nos desiludir

Mas a vida pulsa também…
Veja, meu bem, no caos desse tempo implacável eu tento acertar os ponteiros
Pra ver se os dias passam depressa quando eu não estiver com você
E eu vou, todo dia, fitar o seu rosto na luz da manhã
Pra ver se meu beijo de bom dia te ajuda a lembrar de não esquecer

Que há amor aqui.
Há amor em nós
Há resposta nos nós
Há um novo por vir

Há amor aqui
Mesmo com temor lá fora
Mesmo que a hora corra e logo eu tenha que te ver partir
Há amor por vir

E ainda que uma parte de mim morra, alvejada nas ruas e calçadas desses dias sombrios
Ainda que eu seja ferida, eu sou rio, e haverá amor ali.
E ainda que tentem matar esse amor, mal saberão que ele é Flor
De Cacto, de Liz e de Luz
Não permite calar-se, não se prostra ao temor

Veja, meu bem, outro dia chegou.
Meu beijo fica contigo, pra ver se te lembra de me recordar
Pra ver se te lembra de acreditar
Pra ver se te lembra que vento nenhum desenraiza a Flor do nosso Lar.
Pra ver se te lembra que a vida prossegue a pulsar
é impulso que força a gerar do ventre a força pra caminhar

E nesse trajeto, mãos e vidas dadas eu quero pra nós
Quero a vida que o mesmo ventre contraído, desiludido, tem poder pra gerar
Amar, florir, semente ser
Pulsar para nascer
Somente ser.

Vem, ata teu beijo no meu sorriso
Aqui há abrigo, bem dentro de nós.
Se funde em mim, me faz esconderijo
Dentro de nós, acolhemos todo o bem querer.
Vem, desata os nós comigo
Eu me ilumino ao teu toque, e te quero brilhar com um tanto de mim.

E eu vou, todo dia, fitar o seu rosto antes de dormir
Pra ver se meu beijo de noite te ajuda a lembrar de (r)existir.
Pois ao fim de mais um dia vencido, quem sabe espremido e expulso de um ventre em dor
O que resta do dia é amor.
É ele que existe, resiste e persiste a nos redimir
É ele que explode, acolhe e desafia esse mundo podre todo dia
Lembrança de luz em dias sombrios a sempre insistir:
Há amor aqui.

    Carol Acioli

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    Mulher em constante construção. Lésbica, cristã, feminista, ativista, educadora. Historiadora e musicista. Escritora aspirante. Amar e mudar as coisas.