“CEGOS PARA O PRÓPRIO BEM”

Hoje eu acordei mais uma vez com a sensação de falta. Falta algo dentro de mim que desde que me entendo por gente não consigo definir o que é. Tentei, por vezes, colocar na minha cabeça que o que falta em mim é um deus, uma força vital, seja o que for… mas, isso não era o bastante pra suprimir a falta que sinto em mim todos os dias. Usei muitas vezes a religiosidade para suprir essa falta e é lamentável ver como as pessoas ainda se utilizam de recursos baixos e fúteis para querer suprimir a necessidade humana. Fui falar disso para minha mãe e ela começou a chorar, pois pela manhã havia lido um texto bíblico que dizia: “Eu sou o Todo Poderoso…” e engrandecimentos a Deus. Quando falei que muitas pessoas se utilizam disso para suprir uma falta, para tampar um buraco, ela foi às lágrimas e eu nada pude fazer a não ser ficar calada tomando meu café. Não é insensibilidade, mas já conheço essa história e vejo que quando as pessoas se veem perdidas, e você por minutos as desprendem do seu cais, elas ficam no escuro e o buraco do seu peito é reaberto.

Eu acredito em Deus, acredito que Ele seja o Todo poderoso, mas também acredito que se homem pode fazer algo, Deus não vai interferir. Deus nos deu um “poder” inalienável chamado: discernimento. Saber discernir a hora de agir, a hora de falar, a hora de calar, faz-nos muito mais humanos e dá-nos a capacidade de pensar e raciocinar sobre quem somos e nosso papel no mundo. Essa falta que sinto (e que ainda não sei ao certo o que é) motiva-me a querer descobrir o melhor de mim que ainda falta, motiva-me a ser melhor todos os dias.

A religiosidade tem cegado muitas pessoas a respeito de quem elas são e querem adaptá-las à papéis que não as representam. Eu quero ser quem eu sou e ser amada por isso. Deus escolheu me amar, escolheu amar a criatura que eu sou, com defeitos, falhas e a eterna busca pelo melhor de mim todos os dias.

P.S: Esse é mais um texto com traços religiosos, mas é o que tenho que conviver durante quase todos os dias da minha vida. Desculpa.

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