O dia em que parei de ser reclamona

Desde que me entendo por gente sempre fui meio azarada, e como consequência me tornei reclamona.
Se eu tropeçava em uma calçada perfeitamente lisa, pensava: Nossa isso só acontece comigo, se eu estava chegando no ponto para pegar um ônibus e ele passava ( sendo que isso já tinha acontecido umas 5 vezes seguidas na semana) eu pensava: Nossa ! Como sou azarada blá blá blá…como sou azarada…blá blá blá
Mas a vida não deixava eu me esquecer que era azarada, por exemplo quando o sistema do banco caía bem na sua vez de pagar a conta, ou quando o professor da faculdade sempre foi super bonzinho com todas as turmas mas quando ele vai dar aula para sua turma ele resolve virar um carrasco e faz da vida de todos os alunos um inferno.
Ao longo dos anos eu me identificava com um personagem dos desenhos Hannah-Barbera, se não me engano era uma Hiena que resmungava em tom de lamento: Ó vida, Ó azar. Repetia isso sempre que acontecia um infortúnio em sua vida, e eu inconscientemente adotei esse mantra é sempre que algo ruim acontecia na minha vida eu resmungava como a tal da Hiena.
Mas isso não me fazia nada bem, fui me tornando uma pessoa muito mas muito pessimista mas veja bem ser pessimista não é tão mau, o problema é quando você se torna uma pessimista crônica.
Pois sempre estava à espreita esperando que tudo desse errado.
Bom com o passar dos anos fui me tornando chata e amarga, mas como eu iria ser alegre e saltitante se tudo dava errado.
Bom um belo dia ,em 2012, eu decidi que seria mais alegre , que ia parar de reclamar tanto, e agradecer por estar viva, ter um teto, comida é uma família e amigos que me amam…sim bem clichê mas decidi seguir em frente com isso.
O engraçado é que quando você se torna uma pessoa mais aberta às coisas boas e as coisas ruins da vida , o jeito de encarar as coisas muda e muda muito.
Não, infelizmente os infortúnios da vida ainda me perseguem, mas parei de encara-los como se fossem pequenos monstrinhos que nasceram para arruinar a minha vida, decidi fazer com os limões uma bela limonada suíça (mais clichê impossível), se eu vou ficar presa em um engarrafamento por duas horas todos os dias, levo um livro, aliás me tornei uma leitora voraz por causa desses engarrafamentos infernais do Rio de Janeiro, se vou ao banco enfrentar aquela fila interminável, escuto um podcast ou faço palavras cruzadas, e se tropeço na rua e quase caio de cara no chão digo: Merda!!!! E sigo meu caminho.
Não me livrei dos meus percalços só mudei minha perspectiva.
