Eu quase não arrumei minha cama

Levantei com aquela taquicardia característica. Fazia algumas semanas que ela não aparecia para atormentar as minhas manhãs. Veio o misto de pavor e alívio por estar com os olhos abertos novamente.

Levantei mas não tomei banho, tinha tomado uma ducha gelada do chuveiro queimado logo antes de dormir. Abri a persiana e as pessoas andavam com blusas de frio. “Droga”, pensei. Fiquei algum tempo parada, contemplando o nada enquanto a cabeça não parava de pensar: “academia, comer de um jeito mais saudável hoje, não esquece de pedir água, ligar para o corretor de imóveis, não acredito que eu esqueci de comprar sabão para lavar as roupas, onde será que eu deixei meu óculos?”. Muito rápido. Tudo de uma vez.

Fui até o banheiro, água gelada no rosto para acordar. Na cozinha, um café coado, rápido e fraco. Coloquei a roupa, escovei os dentes, arrumei a mochila e não esqueci de colocar a roupa da academia. “Hoje vai!” eu disse para mim mesma com uma convicção falsa.

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Cheguei na porta com a sensação de que alguma coisa estava errada ou fora do lugar. “O que eu esqueci?”. Voltei e a vi a cama por fazer. Deixe a mochila no chão, ao lado da escrivaninha abarrotada de papéis escritos em completa desordem, estiquei o lençol, afofei os travesseiros, joguei o edredon e coloquei as almofadas.

Aí sim, meu dia começou.

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