O dia que eu virei a Summer

A caricatura do cara legal e como nós, mulheres, somos terríveis.

Ele era um cara legal. O papo foi bom e a coisa escalonou de "estamos nos conhecendo" para ele passar os finais de semana (todos) comigo. Ele tinha um gosto musical parecido com o meu e a gente trocava estrofes o dia inteiro, falava sobre tudo e nada, estava sempre com algum mensageiro aberto e dava boa noite toda noite.

Ele era calado mas se deu bem com meus amigos e topou diversos rolês com e sem glitter. Era um cara bacana que meu pai gostou de cara e que a minha família achou divertido. Ele era realmente uma pessoa legal e com um bom coração.

O problema não era ele, eu acho. Talvez aquela vez que ele mexeu no meu celular sem autorização ou no dia que a gente discutiu sobre um assunto que eu domino e fui chamada de Padawan. Não sei bem onde, muito menos quando, mas em algum momento as coisas mudaram.

Eu olhei pro cara legal e vi tudo que ele era: um cara legal. Ele não me despertava entusiasmo, as borboletas não estavam no meu estômago e, apesar de confortável, estar ao lado dele se tornava todo dia um desafio: o de gostar de alguém que gosta de você apenas porque a pessoa gosta de você.

Eu vi a caricatura que ele era e representa. O cara legal. Eu achei que caras legais não ficassem com garotas como eu — a nós são relegados os caras que ninguém quer porque são problemáticos e a gente tem essa vontade de salvar todo mundo.

Ele não era um cara legal, no final das contas e, o mais importante, eu não estava apaixonada por ele.

Terminamos e eu virei a Summer, aquela vagabunda. Aquela que terminou com o cara legal que toda garota sonha encontrar. O que você fez, Carol? Por quê fez isso? Você deveria dar mais uma chance. Você pode começar a gostar dele. Pensa bem. Ele é o cara legal.

Eu resolvi ficar sozinha mesmo com o cara legal disponível. Eu achei meu cara legal e bati a porta na cara dele porque é tão bom ficar sozinha. A cama é toda minha e eu queria ela só pra mim. A verdade é que foi uma transição amena. O cara legal não sabia disso mas já fazia tempo que eu não tinha mais nada com ele.

Meses depois. Vários dias, várias horas, vários minutos e segundos, eu decidi que podia olhar para alguém e até me interessar. Estava sozinha, queria ficar sozinha e resolvi olhar para alguém.

Que pessoa terrível, eu sou — você veja só, eu deixei o meu cara legal voar e já, depois de meses, resolver olhar para alguém foi um assassinato figurativo ao cara legal. Pobre cara legal.

Que pessoal terrível eu sou.

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