Agosto

Não queria ser Agosto.

Agosto não tem feriado e tem 31 dias, o que o faz não cair nas graças do povo, que tem uma queda por Fevereiro e todo o espírito folião que, em geral, é tão peculiar. Não bastasse isso, Agosto traz consigo apostos cruéis (“mês do desgosto” e “mês do cachorro louco” lideram a lista).

Não gosto nem desgosto de Agosto, o mês que tem como número o símbolo do infinito e, talvez por isso demore tanto a passar. Prefiro Junho e suas festanças com quitutes gostosos e muito “rasta pé”! Sem falar que dia 13, dia de Santo Antônio, é um dos dias mais lindos do ano. Dezembro e seu toque iluminado também mora no meu coração, traz uma atmosfera delicada e de paz.

No entanto, verdade seja dita, é certo que Agosto tem me transformado nos últimos anos. Em meio a toda “louquidão” que o cerca, é um mês de quebra de paradigmas, de fazer escolhas difíceis, de arriscar.

Agosto me ensinou que as pessoas não mudam; que aquelas mais próximas são as que mais vão te magoar; que ninguém ama igual; que expectativas, possivelmente, serão seu maior ponto fraco; que apostar no duvidoso, algumas vezes, dá jogo; que a crise vai sempre existir, mas só nós somos capazes de dar a ela o tamanho que merece…

Agosto e sua capacidade de transformação levaram embora uma parte de mim. Eu gostava dela e tentei trazê-la de volta. Só que ela foi embora mesmo, assim como Agosto vai todos os anos.

Eu não queria ser Agosto. Ainda que para o meu gosto, ele esteja se saindo bem.

Foto: http://goo.gl/q9Zmpm

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