Duas semanas atrás minha professora de Yoga nos propôs um Sadhana (uma prática espiritual pra fazermos em casa durante a semana) que consistia em não tentarmos ser melhores, apenas aceitarmos aquilo que já somos. Quando ouvi a proposta imediatamente pensei que seria tranquilo, que não exigiria esforço ou atenção da minha parte… Que engano!

Virginiana perfeccionista que sou cobro de mim, em exagero, o tempo todo (mesmo que a prática na maioria das vezes não corresponda ao elevado grau de cobrança). E acredito que todas as pessoas, cada uma a seu modo, faz essa cobrança interna também.

Vivemos a ilusão de que poderíamos ser mais arrumados, bonitos, saudáveis, hidratados, malhados, bem sucedidos, esforçados, amados. É uma lista enorme de coisas nas quais gostaríamos de nos aprimorar, livros que acreditamos precisar ler, informações a adquirir, especializações e um sem fim de exigências que, no fim das contas, nos ajudam somente a nos afastar do que realmente importa.

Esquecemos o tempo todo que as coisas são perfeitas da forma que são. E falo nós porque tenho que puxar o freio diversas vezes e falar pra mim mesma “Calma aí, Carolina”. E como saber que as coisas são perfeitas exatamente da forma como se apresentam? Se elas não fossem perfeitas pra você elas simplesmente não estariam acontecendo na sua vida.

Sucessos e fracassos são perfeitos. Se manifestaram-se na sua vida, acolha, você com certeza precisa de ambos.

O sadhana, portanto, foi mais difícil que eu pensava, mas não impossível. Desapegar de idéias de perfeição, aceitar a vida como ela é sem tentar o tempo todo, insistentemente, fazer as coisas serem conforme nossa mente acredita ser o certo, é libertador.

Nossa mente e nosso ego sempre vão nos falar que as coisas estão fora do lugar, que poderíamos nos esforçar mais, que tudo precisa ser melhor, que precisamos ser os primeiros, que não podemos falhar. Não vamos cair nessa armadilha. Vamos aceitar que tudo é perfeito como é, por mais imperfeito que pareça.

O ser é mais forte e real que o dever ser. As coisas acontecem independente do que achamos, queremos, esperamos. O que nos cabe é aceitar e amar cada experiência que chega até nós, e também aceitar e amar a nós mesmo, sabendo que a cada momento estamos fazendo o máximo que podemos. 😊