Minha academia era bem menorzinha, tá?
She’s a maniac,
Maniac on the floor
And she’s dancing like
She’s never danced before…

Meu primeiro dia na academia

Para ler ouvindo “Manic” do Michael Sembello

Eu sempre fui uma pessoa que DETESTOU academia, porém nunca tive uma vida sedentária. Fazia mil coisas, entre elas karatê, circo e teatro musical só para citar algumas. Só de pensar em entrar em um lugar onde as pessoas puxam ferro e correm na esteira meus cabelos da nuca já arrepiavam, mas tudo mudou quando eu fiz 30 e entenda por “tudo” o tal do metabolismo.

Já não tenho mais 56 kilos e meu metabolismo anda mais lento que você na Marginal às 17:45, tendo marcado um compromisso importante as 18h. Faço yoga duas vezes por semana mas sinto que ainda é muito pouco para uma sedentária como eu ganhar mais resistência física e perder peso então, resolvi me matricular em uma academia pela primeira vez na vida. Tinha uma promoção ótima pro plano anual. Quase de graça! Aqui você vai ler um relato de como foi a minha experiência.

Chegando na academia fui recebida por uma moça muito simpática, com um corpo muito bonito e com uma voz bem esquisita. Ela me mostrou as dependências da academia e me perguntou:

-E aí? Vamos fazer hoje?

Eu disse que sim, animada com as milhares de possibilidades de aula que eu poderia fazer. Ela falou para eu me trocar que ela ia me mostrar os aparelhos e as salas de aula.

Cheguei no vestiário e me escondi num canto para me trocar. Toda aquela coisa de se trocar na frente de gente desconhecida (sem ser no teatro, mas esta é uma outra história) é perturbador. Todas as moças lá dentro pareciam bem a vontade para se despir e conversar entre si e eu só pensava “o horror! O HORROR!”. Além disso, elas têm uma mania engraçada de olhar sem pudor nenhum para você enquanto elas ou você está pelada. Passado o trauma inicial sai para finalmente começar a malhar.

Assim que sai, encontrei a mocinha da academia que me deu uma lista de aulas. Decidi que ia fazer uma aula de cycle (que nada mais é uma aula de bicicleta com um monte de gente junto). Pensei comigo mesma:

- Ah! Vai ser legal! Eu sempre gostei de bicicleta!

Se eu soubesse como eu estava enganada…

Cheguei na aula, escolhi a bicicleta mais no fundo da sala que tinha e sentei. Os outros alunos foram chegando e já logo ajustando as bicicletas e pedalando. Ajusta daqui, puxa dali, desce o banquinho acolá e pronto! Eu estava pronta para aula!

Minha professora, uma espécie de torturadora moderna que é a cara da Valesca Popozuda (amo!) era muito animada. Disse boa noite para todos e já começou a gritar:

-Velocidade! Vamo lá!

Aí é que o bagulho ficou louco. Ela apagou a luz, ligou um globo de espelhos de discoteca, colocou o som no último volume (um remix muito doido de alguma música da Rihanna) e subiu na bicicleta. Enquanto ela pedalava e gritava palavras de ordem para os eu pensava:

-Meu Deus isso tem que acabar logo!

Uma hora ela simplesmente desceu da bicicleta e ficou rondando entre os alunos vendo quem tava pedalando devagar e gritando no ouvido da pessoa para animá-la. Não sei se foram as luzes, a gritaria, a música pop ou o esforço mas só sei que uma hora eu achei que ia morrer.

Após aproximadamente 45 minutos de tortura, a aula acabou e eu estava MORTA COM FAROFA. Tão morta que não sentia nem as minhas pernas e nem os meus braços de tanto que eu apertei o guidão a cada grito que o cover da Waleska Popozuda dava.

Me arrastei até o vestiário na esperança de tomar um banho e ir para casa. Ledo engano. O vestiário estava LOTADO, cheio de moças nuas que conversavam animadamente entre si. E eu pensando:

-Se eu tirar a roupa e alguma delas vier conversar comigo eu vou enfiar a minha cabeça num buraco.

Desisti do banho e fui para casa. Prometi nunca mais voltar mas voltei. E voltei no dia seguinte e foi assim por 6 meses (indo 1 vez por semana e olhe lá) quando finalmente desisti e escutei a voz da minha consciência dizendo:

-NÃO DISSE? FALEI PARA NÃO FECHAR O PLANO ANUAL! FALEI, NUM FALEI?

Após esta tentativa eu resolvi nunca mais voltar para a academia. E assim permaneço, firme na minha decisão! Pelo menos até a próxima promoção (ou a barriguinha) aparecer.

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