Acasos

Existe um tempo de nossa vida em que nosso “criador” seja lá quem for tira uns dias para puxar nosso tapete. Revirar as malas. Empoeirar os móveis. Eu to nessa parte da vida, parte que me incomoda bastante. Mas por incrível que pareça, são fases como essa em que eu escrevo. Escrevo pra lembrar. Pra esquecer. Para chorar. Para viver.

É nessas horas em que está tudo voando, num espaço sem gravidade a gente tromba e cai sem pouso e desajeitado, no desajustado tempo. Eu cai. Trombei. Trombei com você. E eu nem sei como isso foi possível. Eu, logo eu. Você, logo você. Parece que nesse instante tudo volta ao seu devido lugar. Sua devida arrumação.

Eu gosto muito do jeito que usa as palavras. Usa do jeito correto. Manuseia cada palavra como aquele jogador mais cobiçado manuseia uma bola na hora de fazer um gol. Gol! Ele fez com os pés. Você com as palavras. Me bagunça. Me ajeita. Me conserta. Me desconserta. Me confunde. Me desconfunde. E eu rio. Sorrio. Desalinho.

Não da pra limitar um texto em quantas linhas. Também não da para limitar um alguém em tão pouco tempo. Desculpe meu jeito. Desculpa meus desajeitos e devaneios. Desculpa as palavras sérias e o jeito sério. Me desculpa por ser eu. Por ser apenas eu.

Acredito em acasos. E que acasos da vida acontecem sempre 1 vez em 30 anos, casualmente. Você está sendo um acaso bastante bonito.