Dia dos pais.

Eu nunca sei quando é dia dos pais. Definitivamente, é uma data que nunca foi significativa para mim. No geral, descubro que a ocasião está chegando um ou dois dias antes das comemorações. O motivo não é muito difícil de adivinhar: eu sou uma das inúmeras pessoas que tiveram um relacionamento extremamente raso com a simbologia prática da figura paterna e suas ramificações afetivas.

Meus pais se separaram quando eu nem era nascida. Até eu completar uns dez anos de idade, ele me visitava umas três ou quatro vezes por ano. geralmente para levar um ovo de Páscoa ou um presente de aniversário atrasado. Isso quando eu não era obrigada por algum juiz passar férias ou finais de semanas com ele (Confesso que nunca joguei tanto video game na vida como essa época, afinal, era melhor me entreter do que passar horas dividindo o mesmo ambiente com ele) Depois, tivemos uma discussão (eu com 10 anos) e assim ele sumiu. Não que eu tivesse sentido falta e ficado traumatizada com a total ausência do meu pai: nunca tive um pingo de intimidade com ele. Sempre foi um completo estranho para mim – inclusive, eu tenho guardado na minha memória de criança o quanto eu me sentia desconfortável nas visitas dele. Quer dizer, era meu pai e eu não sentia nada forte por ele como sentia pela minha mãe/vó. Os filmes da Disney e as revistinhas da Turma da Mônica diziam que eu deveria amar ele. Nunca amei.

Aliás, nunca amei, mas também nunca odiei. Era só uma pessoa aleatória que por algum motivo estava na minha vida. Confesso que, depois que cresci, tomei alguma antipatia por ele, mas imagino que seja algo justificável. Quando você deixa de ver aos dez anos uma pessoa que participou, digamos, da sua confecção e depois só volta a ter contato com ela aos 16 em função de um processo para pagamento de pensão alimentícia, é normal que role um rancorzinho. E por contato eu quero dizer que dividimos a mesma sala apenas. Desde os dez anos eu nunca mais troquei uma palavra com meu pai. E sinceramente, não sinto falta.

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