Pelo amor do amor.

Engraçado que eu estou a exatamente 1 hora em frente ao computador pensando como começar esse texto. Na maioria das vezes seria uma coisa fácil, às palavras tem mania de sair num piscar de olhos. Notei que dessa vez foi diferente, em tom de despedida, sabe? Bem, eu não sei. Por via das dúvidas coloquei uma música para tocar e amenizar o impacto. Eu venho a muito tempo pensando por que as vezes a gente encontra alguém bem na hora de um desencontro. Tipo, conhecer uma pessoa sensacional que está namorando ou se apaixonar por alguém que está indo para bem longe. Uns chamam de desencontros e eu apenas chamo de destino. Sim, ele existe. E está bem na minha frente.

Falando especificamente de você, te olhar nos olhos foi como encaixar todas as pecinhas do meu cubo mágico que eu venho tentando ajeitar há dias, meses e anos. Te olhar por alguns minutos sem que você percebesse foi como calcular minha vida toda ao teu lado, se você me permitisse. Foi como contar as estrelas sem perder a conta. Foi ter a certeza que meu lugar era ali, junto com você, por segundos, minutos, uma vida inteira.

Eu peço tanto que fique, fique sem medo, sem olhar para trás. Ou que você me diminua e arranje um espacinho onde possa me colocar na sua bagagem, memória, coração e assim me levar. É o nosso tempo (foi-se nosso tempo). É a nossa hora (foi-se nossa hora). Pelo amor do amor do amor, vai. Eu deixo você ir mesmo que nem queira ficar. Eu deixo você ir e junto levar a parte colorida do meu cubo mágico e tudo que eu imaginei pra nós. Só eu. Ninguém mais.

Hora de deixar você ir, eu juro que vou deixar você ir, aqui do bairro, do estado, do meu abraço. Porque aqui dentro de mim, onde pulsa, onde bombeia e me desatina o meu tino, você fica, fica como ninguém ficou e como nunca deixei alguém ficar. Fica colado, grudado e ajeitado aqui para que ninguém venha e te derrube de um local que eu mesma te coloquei. Agora vá! Não olhe para trás, vá! Eu juro deixar você ir, sem mais, sem demora, sem vírgulas ou reticências. Juro deixar você ir. Daqui. De tudo. E, se um dia voltar (Meu deus, que esteja só) ou acompanhado, não me importa, não pense duas vezes em chegar nesse lar que se chama Eu, onde tem nome (o seu nome) e teu sobrenome.