dia 143 // f a m i l i a r i d a d e

Carol Soares
Jul 28, 2017 · 2 min read

o que você sente vivendo #semcasa?, ##oqueaprendovivendosemcasa, Lisboa

já falei o quanto o deslumbramento é fascinante. como a sensação de estranhamento causada pelas primeiras vezes é rica. mas nosso cérebro é muito safadinho. ele se desenvolveu pra sentir prazer no conforto, no pouco esforço, no familiar. nossos antepassados sofriam grande carência de energia, não havia abundância de alimento como hoje. por isso ele é preguiçoso, prefere ficar quietinho, guardando energia caso precisamos fugir ou escapar. hoje não temos déficit de alimento (pelo contrário!) e podemos exercitar mais nosso cérebro. viajar é colocar o cérebro pra correr, causar estranhamento. mas ele sempre encontra momentos de detectar familiaridade e liberar químicas de prazer no nosso corpo. como é gostoso detectar familiaridade! descobrir que já sabemos voltar pra “casa” sem google maps, qual ônibus pegar, a senha do wifi do café entrar automaticamente no celular. encontrar rostos conhecidos na cidade. mas nada é mais acolhedor do que o garçom do bar da esquina (nossa tasca portuguesa preferida) já saber seu pedido e dar “até amanhã”. entre tantos deslumbramentos e estranhamentos dessa vida nômade, um pouquinho de familiaridade faz carinho no cérebro e aquece o coração.
#semcasa #nomads #nohome #homeless #globetrotter

quer saber mais sobre #oqueaprendovivendosemcasa? 📷 mcarols // facebook: carol soares

Written by

nômade . pesquisadora . educadora // vivendo e trabalhando no f/uxo // instagram: @mcarols // há 701 dias vivendo sem casa // agora: sampa

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