eu aposto que você consegue
rasgar essa pele fina que me separa dos seus poros abertos
e o peito pulsante
que me chama
e me repudia

aposto que você consegue
se desprender do passado
a ponto de me deixar adentrar
os meus dedos
em cada brecha sua
a ponto de te fazer falar 
em meio à respiração ofegante
o quanto você sentiu falta do meu corpo no seu
e o quanto nós somos destrutivos
e construtivos
e como nos embolamos
embaraçamos
nos amarramos
e nos deixamos ir
mas sempre voltamos correndo
para os braços um do outro.

aposto que você consegue
me olhar
e não repudiar o passado
beijar minha testa
com quem sela a paz

e se você se perdesse
lembraria de mim
quando te perguntassem
onde é a sua casa?

eu sim.