mais uma vez: eu deveria ter dito.

o novo do childish gambino toca e eu penso em você

tudo que eu quero é estar com você
te ver mais do que como um alerta gigantesco de como eu sempre q u a s e consigo ser feliz.
te tocar de novo
poder acordar mais cedo sem querer e passar uns minutos te olhando tão
bonito

me perguntei como um garoto tão confiante de si poderia estar com uma garota como eu. totalmente insegura por trás de umas palavras bonitas tentando te desenhar nas rimas pra ver se você entende que o meu medo é não ser suficiente. e hoje eu conversava com nb tentando criar alguma teoria sobre isso sobre a nossa necessidade de ser suficiente sem nem saber pra quê pra quem o que é ser suficiente. 
eu só queria ter segurado a sua mão mais uma vez

e ver sua pele encostando na minha seus dedos percorrendo as minhas costas os beijos demorados e molhados a forma como sua mão puxava meu cabelo a sua respiração ofegante ao pé do meu ouvido minhas unhas arranhando sua pele o seu gosto na minha boca o meu gosto na sua boca o primeiro contato do seu corpo dentro do meu. o vai e vem. os gemidos os tapas os arranhões as marcas. o adeus. de tudo que dissemos a palavra “adeus” dita com os olhos foi a mais dolorosa de todas.
eu só queria ter segurado a sua mão mais uma vez

lembro do dia em que nós passamos horas e horas conversando e te contei do meu pavor na ideia de morrer afogada. e nós continuamos falando sobre medo da morte do abandono das músicas favoritas das piadas ruins dos filmes favoritos. e aí você me disse que não tinha um filme favorito. mother saiu e você me chamou para assistir na sua casa. não sei se foi o contexto do filme mas você disse uma frase que me abalou inteira: “esse é o meu filme favorito”. e você continuou criando teorias sobre o filme que nem se deu conta de como era grande. te vi mudando crescendo se esticando tentando caber no que queriam de você e você simplesmente desistiu. te amei até quando te vi indo embora porque nada poderia apagar a sensação que eu tive quando acordei do seu lado. quando fomos muito mais do que somos e tudo bem porque dos nossos adeus nós sabemos mas tudo que senti e deixei de dizer só eu sei.
eu só queria ter segurado a sua mão mais uma vez

cê nem percebe como eu escrevo demais sobre você e como toda música de amor me lembra quando eu senti aquela ventania dentro de mim e percebi que tava afundando em você. e me jogo do precipício que é amar torcendo pra que cê me espere lá no final. que não seja o gelado do concreto no meu rosto.

e como escreveu cassiane maranha:

“i wanna hold your hand
eu deveria ter dito”

e eu também não disse.