nas minhas saboneteiras sua água não escorre mais
intocada
após tanto tempo me arrepiando enquanto seus dedos escorregavam pelas minhas costas 
desacostumar com o toque de quem se ama é como rezar para o corpo expulsar um vírus sem antídoto
não tem remédio
não para esse coração partido
não para essa rachadura que começa no meu peito esquerdo e me abre até a ponta do pé porque eu sangro como se tivessem me cortado, mas na verdade você só me deixou. e não é drama, quem já viu o amor se despedindo sabe a dor de cada palavra. sabe como o cérebro passa a ser o lugar menos confortável de se habitar porque ele me lembra de quando andávamos de moto pela primeira vez e eu esticava os braços como quem queria abraçar você e o mundo. mas foi demais pra mim. foi demais pra você.

o amor vem e vai na mesma rapidez, com a mesma facilidade, se não for bem cuidado.
com a gente foi coisa de segundos
te olhei e sabia que já era
te amaria enquanto pudesse
e assim eu o fiz.

não sei até quando foi amor
acho que deixou de ser quando abri mão dos meus valores pra poder segurar sua mão só quando não tinha ninguém a vista. ou quando eu acreditava que todo fim vinha por culpa minha. se era amor, por que eu era a unica correndo em sua direção? por que você também jurava amor para outra pessoa?

naquele banheiro com o box esquerdo que fica abrindo sozinho não te vejo mais
não tem abraço nem beijo de manhã
porque agora nós acordamos sozinhos
e o mundo acordou cinza assim como o meu peito
cansado de se abrir para pessoas com data de validade

você consegue sentir a mesma dor que eu? ou você mentiu o suficiente para me fazer acreditar que era amor?