O trabalho do historiador
(um olhar sobre o texto de Giovanni Levi da Universidade Ca’Foscari de Veneza => LEVI, Giovanni. O trabalho do historiador: pesquisar, resumir, comunicar. In: Revista Tempo, V. 20, p. 1–20, 2014)
É sabido que o senso leigo e comum reconhece mais como ciência, áreas ligadas ao conhecimento em exatas e até em saúde ou biológicas, do que as conhecidas por Humanidades; principalmente quando partimos da definição denotativo de ciência como “corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, e formulados metódica e racionalmente”[1].
Contudo, ao nos aprofundar na acepção da palavra, o termo originário do latim “scientia”, pode ser traduzido por “conhecimento ou saber conseguido pela prática, raciocínio ou reflexão”; referindo-se a qualquer conhecimento adquirido e aprofundado por meio de práticas sistemáticas e com base em métodos específicos, bem como, ao corpo organizado deste adquirido por observações e pesquisas.
Nesse sentido, a constituição da História como uma ciência científica se alicerçou no entendimento de que quaisquer definições que a observação e a pesquisa produzissem, serviriam apenas de modo geral e, a partir deles, cada conceito histórico só poderia ser devidamente compreendido e aprofundado, quando inseridos em seu tempo e espaço de acontecimentos. Assim, o grande legado do trabalho do historiador é entender que todos os fatos e ocorridos presentes, passados e até mesmo futuros só podem ser devidamente entendidos, dentro de seu contexto inerente e específico.
Por esse motivo, a tentativa de tipificar (e, com isso, generalizar) os fatos históricos (e/ou biográficos) é relevante apenas sob o ponto de vista conceitual da história enquanto ciência; contudo, só terão significados e aplicações, de fato, consistentes se analisados em cada situação de origem e dela gerar conhecimentos sistematizados que podem ser completamente diferentes, de acordo com seu tempo e seu local.
É deste modo que o trabalho do historiador se tornou um fazer científico, pois cabe a ele investigar o passado, organizando e formatando seu conteúdo de modo resumido e elaborado, transformado, em um saber comunicável, passivo de transmissão e informação.
