O que diabos aconteceu com a GERAÇÃO Y?!
Ícaro de Carvalho
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Tem duas coisas distintas nesse post, que se misturam sim, mas que também tem aspectos independentes. A primeira é a cultura do “cliente em primeiro lugar", que tem raízes na cultura de primeiro mundo, porém lá é aplicada de forma diferente daqui; a segunda é a abordagem da Geração Y frente ao trabalho, à vida e à carreira, que é uma coisa meio mal resolvida (como você mesmo colocou, melhor e com mais precisão do que eu seria capaz).

Esses dias atrás o Elon Musk criou uma polêmica quando cancelou um pedido de um cliente que reclamou dele online. Houve quem criticasse o Musk, mas também houve quem saísse em sua defesa, citando que ele tinha o direito de atender ou não atender quem ele quisesse. É assim que funciona lá: com profissionalismo, mas com limites também.

Eu sou da geração intermediária, tenho hoje 49 anos, filhos adolescentes. Mas com poucas e boas exceções, meus parentes (em geral sobrinhos), amigos e colegas de trabalho na faixa dos 30 vivem num limbo de realizações pessoais. Tem uma vida social cheia, muitos amigos, tem estilo, mas não tem algo que se possa chamar “projeto de vida". Muitos projetam sua vida e felicidade no presente. O máximo de planos é uma viagem ao exterior, uma pós graduação. Parece que tem vergonha de fazer planos, esperando o momento que uma grande oportunidade vai se abrir à sua frente. Tem sempre a ilusão de que estão trabalhando muito e que eventualmente as coisas se encaixam. Só que nem sempre isso dá resultado.

Uma coisa, porém, que eu não consigo concordar é que essa dedicação cega ao trabalho seja um traço absolutamente prevalente na geração Y brasileira. Talvez dependa do estilo da empresa (descolada), talvez dependa da região (estou em BH), talvez dependa do mercado (agências, tecnologia), mas ouço com frequência de vários amigos empreendedores a reclamação oposta: que o pessoal desda geração não quer trabalhar, que não se dedica à empresa, que deu 18h vai todo mundo embora.