As desculpas estão destruindo o seu futuro

O mundo está cheio de grandes ideias que nunca saíram do papel. Chega de dizer que é perfeccionista ou que está esperando o momento certo; isso são desculpas para camuflarem a o seu medo de dar errado.

A vida real se parece com um estádio de futebol: dezenas de milhares de lugares para quem quer assistir o jogo, mas apenas alguns em campo, fazendo acontecer.

Há treze anos eu arruinei os planos do meu pai. Em uma família de médicos, bastaria que eu cumprisse o que já estava pré-acordado, jogando com o regulamento embaixo do braço, para que eu tivesse uma vida tranquila: uma clínica, pacientes e estabilidade, em uma das profissões mais cobiçadas do país.

Eis que eu disse: “Pai, eu não farei medicina”. Até hoje eu não sei se essa frase tinha cinco palavras ou cinco tijolos. Dava para ver nos olhos dele o choque da decisão.

Três ou quatro anos depois o meu pai ainda insistia que eu mudasse de ideia. Para ele, era coisa de menino novo. Na sua cabeça, quando eu percebesse o quão dura era a vida real, eu optaria pelo caminho das pedras.

E, eu posso te dizer uma coisa? Como a vida bate duro!

Eu sentia que precisava fazer alguma faculdade e, como não sabia direito o que escolher, fiz como a maioria dos brasileiros: optei pelo direito. Já na primeira semana eu sabia que aquilo não seria para mim.

Ali eu percebi que o meu futuro não seria em meio as pilhas de papel, filas em fóruns e roupas sociais em um calor de 34 graus.

Lá estava eu, aos vinte anos, tentando descobrir o que eu faria da minha vida.

A vida real: seis anos de quebras e fracassos

Eu fiz de tudo um pouco e não tinha a menor ideia de que, dos 20 aos 26 anos, eu só tomaria no cu. Tudo, literalmente, que eu coloquei a mão deu errado.

Como eu sempre gostei de internet, aos 20 anos eu comecei a desenvolver um pequeno programa para finanças. Era uma coisa simples, que te orientava a investir parte do dinheiro que sobrava ao final do mês. O nome do negócio era projeto Midas — algo que você jura que é genial, quando tem essa idade.

Acabei me mudando para Curitiba, atrás de um sujeito que prometeu acelerar o meu projeto em sua agência. Descobri que o cara era louco, que ele fingia psicografar umas cartas da mãe morta de um colega rico, que financiou todo o seu negócio. Fiquei quatro meses lá, até perceber que era uma grande furada e me mandei no meio da madrugada, comprando uma passagem no balcão da companhia aérea.

Antes de partir, um dos gerentes da agência me disse: “Você não aguenta a bomba. Não será nada. Você não será ninguém. O mercado expulsa gente covarde que nem você. Você é fraco e mimado”.

O cara tinha 50 anos, vinte e cinco de mercado, e eu não consegui responder. Voltei devastado, sem dinheiro algum e com o meu namoro quase acabando.

Decidi lançar o projeto sozinho e ele naufragou. Perdi 80 mil reais ao longo do processo. Lancei, dois anos depois, uma versão atualizada do negócio. Ele pareceu estourar, mas, três meses depois, os sócios majoritários me diluíram e me tiraram do projeto, para vendê-lo para uma corretora.

Estava, mais uma vez, de volta à estaca zero.

Abri um comércio no auge da bolha imobiliária. Quando a “marolinha” chegou, eu quebrei.

Montei um software de gestão para uma das maiores empresas de educação a distância do país. Adoraram, mas não renovaram o contrato e botaram estagiários de 18 anos para tocarem a manutenção dele.

Desenhei o negócio de uma empresa de investimentos onde eu só tinha participação nos lucros. Ela foi vendida, para um fundo americano, por alguns milhões de dólares. Não tinha direito a nada.

O meu maior cliente à época, um grupo de construção, me deu um calote de 42 mil reais, depois que o setor estagnou.

A essa altura você deve estar pensando: “Ou esse cara mente ou ele é muito incompetente. Não é possível que alguém se foda tanto!”.

Eu mesmo já me questionei sobre isso. “Será que deveria ter virado médico?”, “A minha namorada vai querer se casar com um fracassado assim?”.

Eu demorei seis anos para perceber que, na verdade, tudo isso era o resultado de uma única coisa: que eu estava tentando — desesperadamente — vencer.

Seis anos depois: “Enfim, o sucesso!”. Calma, não foi bem assim…

Na vida real as coisas não acontecem tão rápido assim…

Enquanto eu quebrava a cara, projeto atrás de projeto, algumas mudanças iam acontecendo dentro de mim — e eu estava tão preocupado em “dar certo”, que eu não percebia.

Ter metido a cara na rua tão cedo me trouxe toneladas de experiências. Enquanto eu, aos 26, já tinha participado de meia dúzia de negócios, dezenas de projetos e ter visto muito dinheiro ir e vir da minha conta corrente, a maioria dos meus amigos ainda estava comemorando o primeiro estágio.

Outro benefício foi: eu estava, finalmente, perdendo o medo do fracasso.

Eu percebia que as pessoas morriam de medo de colocarem os seus negócios na rua e que boa parte desse medo vinha do julgamento das outras pessoas. Ser taxado de fracassado, ser alvo de risadas e julgamentos…

Ter desenhado tantos negócios me trouxe um certo feeling sobre processos. Ter lidado com tanta gente me tornou um bom gestor de pessoas e, depois de tantas páginas — de vendas, de anúncios, lançamentos, novidades — eu melhorei o meu design e desenvolvi habilidades como UX designer.

Enfim, cada fracasso serviu como uma pedra, que agora eram úteis para eu construir o meu castelo.

Parece brega, não é? Pode até ser, mas é a verdade.

Boa parte dos meus amigos gastaram toda a sua juventude tentando evitar erros, fugir dos fracassos e das dores da derrota. O que acabou acontecendo é que eles se tornaram crustáceos: um esqueleto duro, de aparências, escondendo um interior frágil.

um esqueleto duro, de aparências, escondendo um interior frágil.

Criar projetos, gerir pessoas, alguns anos de experiência no mercado financeiro, um tempo atrás do balcão de um comércio, desenhar páginas, criar campanhas publicitárias e vender — vender muito! — ideias e promessas…perfeito: eu criaria uma agência de publicidade!

Agora sim: a tranquilidade e o crescimento que eu tanto buscava.

Criei a minha agência quando já não dava para fazer pequenos serviços e receber o dinheiro por fora. Uma hora ou outra, iria ter problema com o leão.

Em menos de um ano, já tínhamos atendido duas dúzias de clientes. Fazíamos sites, programávamos soluções, campanhas de lançamento e sets de anúncios para as redes sociais.

Havíamos crescido 3.200%

Pela primeira vez na vida, faturei mais de seis dígitos no ano. Os planos de crescimento eram inevitáveis. Contratei quatro pessoas.

Foram três anos de crescimento, ignorando crise e cotação do dólar. Me casei, comprei o meu primeiro imóvel e tive um filho. Nada poderia estar melhor.

Eis que recebo a seguinte mensagem, que mudaria a minha vida de uma vez por todas:

O que o Thiago — até então um desconhecido — queria era o seguinte: produzir o maior estudo sobre riqueza e geração de patrimônio jamais feito no país. (você pode saber um pouco mais sobre o negócio clicando aqui). Ele queria uma série com o padrão de qualidade Netflix, gratuita, para alcançar pelo menos dez milhões de pessoas, aqui pela internet.

E queria que eu tocasse todo o marketing disso.

O meu primeiro pesamento foi: “Tá maluco? Não tenho tempo pra isso. Estou cheio de clientes e não consigo parar e respirar”.

Demorei alguns meses para respondê-lo — até porque eu acabei esquecendo.

Pouco tempo depois o cara volta, persistente, e diz: “E ai? Está pronto para mudar para sempre esse país?” — e já veio me mostrando o que tinha na cabeça.

Aqui estou eu, aos 30 anos, pai de dois filhos, jogando tudo para o ar outra vez. E será fantástico!

Ao final de 2016, eu abria cerca de oito ou nove clientes por mês. Eis que eu dei a ordem para o pessoal: “Time, vamos entregar os trabalhos que já temos em aberto, mas nós não abriremos novos clientes. Vamos focar em um só”.

Todo mundo ficou assustado. Certeza que pensaram que eu ia foder tudo.

Em janeiro de 2017 eu “fechei” a minha agência a novos clientes e decidi apostar 100% de toda a minha energia, pessoal, talentos e dinheiro — todo o dinheiro que havia acumulado nos últimos três anos — nesse projeto.

Você pode assistir ao seu primeiro trailer aqui.

Passamos os últimos cinco meses dimensionando o projeto, montando o seu plano de ação, da equipe às ferramentas, dos entrevistados aos roteiros. Dia 12 de julho, eu estava em um avião, junto com o Thiago e a equipe, nos lançando no oceano escuro que são as grandes oportunidades.

Essa é a primeira vez que eu vejo esse vídeo. Dei play antes de postara aqui para vocês e a sensação que tive é que, literalmente, amadureci alguns anos nesses últimos 14 dias.

Visitamos uma dúzia de cidades, voamos por mais de sessenta horas, perdemos voos e nos viramos nos trinta, convivemos, todo o time, vinte e quatro horas por dia.

Quando deixei o Brasil, levei a minha empresa junto comigo. Estava ali, entre as minhas pernas, tudo o que eu precisava para realizar esse projeto.

Aqui estava o meu computador, celulares, câmera fotográfica e alguns papéis. Enfim, o futuro da minha agência.

Conversamos com pessoas fantásticas; bilionários, administradores, acadêmicos e até mesmo um ganhador de prêmio Nobel. Vi e vivi coisas que jamais esperaria; tive medo, chorei algumas vezes, me excedi…

Enfim, tudo aquilo que você espera quando a sua vida está se transformando — e para sempre — bem diante dos seus olhos.
À esquerda, o ganhador do prêmio Nobel Alvin Roth. À direita, o mega-empreendedor Flávio Augusto.

Nessas últimas duas semanas eu conheci gente que eu acompanhava — de longe — apenas pelo computador. Pude conhecer o Peter Schiff, que foi a primeira pessoa a me convencer a entrar no mercado financeiro.

Pessoas que, antes, eram apenas monstros sagrados — e distantes — agora estavam ali, lado a lado, participando desse mesmo sonho.

Mas, o mais importante: nos desenvolvemos como time. Nos aproximamos, brigamos, pedimos desculpas, amadurecemos…cumprimos a missão que tínhamos combinado que iríamos cumprir.

À direita, o Thiago ensinando o Peter Schiff a adicionar algumas Thumbs ao seu canal do Youtube, em um dos momentos mais surreais da viagem.
No último dia, ao final da última entrevista, eu desmontei. Sentei nas escadarias de Harvard, acendi um cigarro e tirei pelos olhos as toneladas que estavam sobre os meus ombros.

Chorei como um menino. Era um misto de cansaço, de missão cumprida, do ter se aventurado e vencido. Sabia que estávamos apenas no começo e que agora era que os desafios iriam começar…mas, caramba, fomos e fizemos!

Foto tirada pelo Daniel ao final da última entrevista, nas escadarias de Harvard.

Mal sabia eu que, no dia seguinte, voltando para Orlando, graças à generosidade do próprio Flávio Augusto, que foi um grande parceiro do início ao fim dessa viagem, eu experimentaria uma das coisas mais malucas que vivi na vida.

Fomos cobrir o jogo do Orlando City e coletar algumas tomadas de campo para colocarmos na série e demos de cara com o Ronaldo. Tiramos fotos, estivemos perto, trocamos algumas ideias e entramos em campo.

Eu que joguei, aos 30 anos, tudo para cima e decidi viver mais uma aventura, estava vivendo momentos que jamais poderia imaginar.
No penúltimo dia de viagem, ao lado do fenômeno.

E qual é a lição que eu tiro disso? Não deixe os seus medos destruírem os seus sonhos!

Depois de uma dúzia de quebras em seis anos, crises de ansiedade, noites mal dormidas e aquela sensação de abandono, finalmente eu havia sentado sobre um bom negócio.

É bem provável que a minha agência se mantivesse bem das pernas pelos próximos 10 anos. A fila de clientes já estava no segundo semestre do ano que vem.

Mas, ao contrário: eu decidi dar um tempo e me lançar em um grande projeto. Em realizar um sonho, que é impactar milhões de pessoas.

E, ao final, acabo vivendo momentos como este:

Quem imaginaria? Eu, certamente, que não.

Tudo isso só aconteceu porque, em algum momento, eu decidi optar pelo “sim”. Quantos sonhos, projetos, realizações — grandes negócios, empresas disruptivas e soluções revolucionárias — não morrem nas gavetas, justamente por esse medo de dizer sim?

Se atire. Se lance. Erre. Fracasse miseravelmente.

Só assim você estará em campo, na hora em que tudo se alinhar e aquele grande projeto explodir para o mundo.