O que será o amanhã?

Créditos: Marcos de Paula | Estadão

Na manhã desta quinta (29), o atual governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foi preso preventivamente, em um desdobramento da operação Lava-Jato. No próximo amanhecer, será consumado o ato de ser o quarto governador do RJ a acordar dentro de uma cela. Todos, sem exceção, governadores eleitos entre 1998 e 2014, ou estão, ou estiveram presos. E aqui, só menciono representantes do Executivo, porque o Legislativo é mais competitivo neste quesito.

É com este quadro, agora explicitado, de terra arrasada, que o Rio de Janeiro encerra o ciclo (2015–2018). Período de caos econômico e social no estado. Servidores com meses de salários atrasados, queda na arrecadação do estado, queda no preço do barril de petróleo, aumento exacerbado da violência, a comprovação do modelo falido das UPPs, escândalos de corrupção protagonizados pelo maior partido do país, MDB, que no Rio de Janeiro, hoje, torna-se pó. E foi nesse cenário, aqui exemplificado, que durante boa parte destes anos Pezão, governou, ao menos era para ter feito, haja vista a total inaptidão de exercer esta função.

Os fluminenses esperam que o governador eleito, Witzel, não seja o próximo (dentro de alguns anos) a entrar para esse seleto e agradável grupo de governadores do RJ irem para prisão. Só o amanhã dirá que essa, infeliz, tradição, tenha encerrado, com o querido Pezão. O próximo governador terá a árdua tarefa de reconquistar a confiança da população em relação a esse cargo. Vindo de um ex-juíz, o telhado de vidro é finíssimo, qualquer indício de trincos, o teto desaba.

É necessário interpretar as futuras respostas da sociedade civil, muito traumatizada com a orgia de corrupção que permeou o estado nos últimos anos. Aqueles que despachavam diretamente do Palácio Guanabara desde 2007, hoje não andam mais nas ruas. E 10, das 70 cadeiras da Assembleia Legislativa, a Alerj, foram ocupadas por, em tese, representantes do povo, porém hoje fazem sua própria assembleia, só que nos presídios.

É preciso restaurar, no próximo ciclo (2019–2022) a confiança nas instituições, a próxima Alerj e o próprio Witzel, não podem,cair em tentação de potenciais benesses. A classe política como um todo, não deve ser criminalizada, contudo é necessário que haja investigação, para possíveis condutas não republicanas. Além disso, é preciso uma reaproximação com a sociedade, que está em estado de descrédito com aqueles que devem trabalhar com lisura, no Legislativo, Executivo, e não esquecendo jamais, o Judiciário.

Encerro, com trecho do samba-enredo da União da Ilha de 1978: “ Como será o amanhã, responda quem puder”. Que a resposta seja: integridade, competência, fiscalização, legitimidade, segurança e emprego. E que dentro de alguns anos, os fluminenses olhem para (1998–2018) com aprendizado, e que o senso crítico esteja aprimorado por completo. Porque nós os elegemos.