Mudinha que não me faça flor

Mudinha viçosa crescia se enrolando no meu corpo,
estrangulava meu peito,
cobria a exposição de qualquer luz.

E nesse tempo escuro, reconheço
desandei em pouquíssima poesia.

Sem o devido cuidado, coração não brota flor,
vira castanha seca,
amarga.

E por mais sorte que talento, tenho uma queda por arranjos florais,
pra podar e escolher o que nasce em torno do meu corpo, o que me brota.
Espero que ainda a tempo, tenha regado as folhas que restam em meu coração

Ver raiz em mim crescer mais forte,
botões vazarem aos meus olhos,
cardeais pousarem em minha boca.

Que do espaço hoje nu das minhas costas se faça um jardim
e que seja tão mais vida, que inspire as flores que guardo
numa contaste transformação.

Nascer e renascer,
morrer e se inventar,
longe de mudinha que não me faça flor.

Gabiru (ex) depressivo

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