Como a internet tem ajudado a colocar as minas na música
Por Laís Rissato, voluntária do grupo de trabalho de comunicação da Casa 1

Universo dominado por homens — como quase todas as áreas que a gente conhece -, a música, há tempos, tem sido um meio de expressão explorado por mulheres que querem viver dela e são muito talentosas, mas não tem oportunidades para mostrar seu trabalho no cenário mainstream. Para discutir a questão, o Coletivo Manas e Monas promoveu o debate Machismo na Cena Atual da Música Brasileira na Casa 1 com as cantoras e compositoras Giovanna Lopes, Jack Severina e Gabi Albuquerque, além da percussionista Jackie Cunha.
“Onde estão essas mulheres e por que elas não têm visibilidade? Na verdade, a visibilidade é muito pequena, mas nos meios alternativos. O samba, por exemplo, que é o que eu canto, é um meio muito machista. Me assumi homossexual aos 18 anos, nunca usei roupas curtas, ou seja, os homens nunca me viram como ‘a mulher que dava para comer’. E as próprias mulheres ainda se segregam dentro desse universo, acham que é um problema individual, e não estrutural”, ressaltou Jack, lembrando que por trás das grandes gravadoras estão homens brancos, cisgêneros e na faixa de 40 a 60 anos, cujo objetivo único é acumular ou manter patrimônio.
Para a vocalista da banda Gabi e os Supersônicos, as mulheres são cobradas o tempo todo para provar que são tão boas quanto os homens. “Mas eu não tenho que provar nada para ninguém. Não acho que tenho que ser a melhor e nem me destacar por isso. Sinto a necessidade de ser mais uma mulher. Se eu for mediana e tiver o meu espaço, dou coragem para outras meninas entrarem na música. As energias masculinas e femininas são diferentes, eu não tenho que bater mais forte no pandeiro, tenho que bater do meu jeito. O patriarcado sempre tenta silenciar almas e bocas”, afirmou ela. “Eu canto num bar com um amigo que toca violão. Eu combino todas as apresentações, pagamentos, mas na hora de virem acertar tudo, é com ele que falam, e não comigo. É muito complicado”, completou Giovanna
Única negra entre as participantes, Jackie contou que estudou produção musical em uma classe com apenas homens, incluindo os professores. “É um grande clube do bolinha. A produção independente tem sido a melhor saída, pois aprendemos como se autopromover, como desenvolver a música. Mas o silenciamento acontece demais. Por isso a internet é revolucionária”.
O sarau Manas e Monas rola todo último domingo do mês na Casa 1
