E se você pudesse recontar a história do seu nascimento?

Por Rafael Lima, voluntário do GT de Comunicação da Casa 1

Foto: Rafael Lima

No último domingo (21/05) rolou na Casa 1 a Oficina de Teatro Rainha Kong, ministrado pelo grupo de teatro criado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Composto pelos amigos Helena, Alef, Vitinho e João Guilherme, que se uniram por compartilharem o mesmo interesse pelas questões LGBT e por outros temas e demandas de grupos à margem da sociedade, a oficina contou com oito participantes e já começou com um jogo chamado Zap.

A ideia era basicamente realizar um movimento de acordo com o comando da pessoa da vez. Você pode mandar o flash (passar pra pessoa ao seu lado), o random (bloquear a passagem e inverter o fluxo), o elevador (fazer todos se agacharem e continuarem o jogo assim), o zoim (pular a vez da pessoa que estiver ao seu lado), o zap (trocar de lugar com a pessoa que desejar) e o loucura total (movimentar-se livremente pelo espaço durante dez segundos, trombando e trocando de espaço com o coleguinha).

AVISO: Apesar de extremamente divertido e ótimo para descontrair, o jogo pede que você tenha uma boa coordenação motora, esteja com a articulação em dia e fique atenta (então nada de fazer a pêssega no meio do jogo mana, que a senhora vai se perder. Se for tentar em casa, aproveita e antes do jogo já coloca um Hung Up da Madonna pra fazer aquele alongamento).

Na mesma linha, fizemos um exercício para soltar o corpo e ficarmos mais relaxados, interagindo com o corpo do outro ao mesmo tempo em que entendíamos um pouco mais do nosso e depois mais um exercício criativo: um dos participantes contaria uma história inicial e os demais recontariam a mesma história acrescentando elementos novos e dando a sua cara pra história.

Foto: Rafael Lima

Mas o grande exercício estava no final: a ideia era montar duplas e contar para o parceiro a história de um nascimento. Não precisava ser o seu nascimento biológico, mas um acontecimento que tivesse sido o seu (re)começo. Era o momento de se fazer a pergunta: “E se eu pudesse recontar a história do meu nascimento?”, “Em que momento eu (re)nasci?”, “Em que momento eu me tornei quem eu sou?”. Afinal, em um país como o Brasil onde a cada 25 horas uma LGBT é morta vítima de homofobia, conseguir afirmar a própria identidade e desafiar as imposições sociais e biológicas é como (re)nascer a cada dia.

Depois que trocássemos as histórias, era a vez do outro recontá-la. Sim, você deveria contar com as suas palavras a história do outro. Era um momento de solidariedade, de tentar sentir na pele o que o outro estava passando e ter um pouco de empatia. Mas também era um momento em que as histórias podiam se conectar, onde muitas se aproximavam e nós poderíamos ver que não estamos sozinhos nesse mundo. Dessa forma, ao compartilhar as histórias com o grupo, foi possível ver como as narrativas das LGBT também podem ser fruto de material cênico. E que baita experiência viu!

Animou? Então cola na Casa 1 no próximo domingo (28/05), que vai rolar uma última oficina do grupo. Ah, também dá para acompanhar o grupo no Facebook.

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